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TÓQUIO – Japão e EUA completaram na terça-feira (23) os 60 anos de assinatura do Tratado de Segurança entre os dois países.

Na prática, Japão e EUA concordaram em ser aliados, com os EUA ficando com a missão de defender o território japonês de ameaças vindas do exterior. Na época em que o acordo foi assinado, o mundo vivia a polarização da Guerra Fria, entre comunismo e capitalismo. Os EUA queriam um aliado forte na Ásia, por isso optaram pela assinatura do tratado com o Japão, o que foi benéfico para os dois lados.

“O tratado entre Japão e EUA é a base da aliança entre os nossos países. Ele tem exercido o papel de garantir a paz não só de nossa nação, mas também da região da Índia-Pacífico, assim como, do mundo”, disse o porta-voz do governo japonês, Yoshihide Suga.

Apesar das comemorações, o relacionamento militar dos EUA e outros países aliados, que incluem o Japão, vive um momento conturbado. O presidente americano Donald Trump está disposto a reduzir a ajuda militar, caso os países aliados não paguem um montante maior para contar com a ajuda americana.

No dia 15 de junho, Trump manifestou sua insatisfação pelo fato da Alemanha, que tem tropas americanas em seu território, não estar gastando o suficiente com defesa. O presidente americano demonstrou o desejo de diminuir a quantidade de soldados dos EUA no país dos atuais 34.500 para 25.000 soldados.

Uma parte dos soldados que podem ser retirados da Alemanha seriam realocados em bases americanas do Pacífico, como Havaí e Guam. Uma parte pode ir para o Japão, mas para isso precisará de negociações com o governo japonês. A questão é se o governo japonês estaria disposto a aceitar com custos adicionais a ajuda americana.

O Japão passa por um momento chave de sua história do pós-guerra, com o governo querendo revisar parte de sua Constituição pacifista, imposta pelos EUA. Tóquio tem aumentado sua participação em missões de ajuda na região dos mares da Índia, além do envio de tropas para ajudar na reconstrução do Iraque. O país quer clarificar em sua Constituição o papel  exercido pelas Forças de Autodefesa, o que é visto como um pretexto para expandir suas atividades militares, algo que não é bem visto por vizinhos e rivais históricos, como China e Coreia do Sul.

O governo dos EUA apoia a posição do Japão, mas na questão das tropas americanas em solo japonês, muitas pessoas ligadas ao governo americano pedem que o Japão pague mais pela manutenção de suas tropas em território japonês. O montante a ser pago também deve aumentar, com os planos dos EUA de deslocar soldados seus da Alemanha para outras regiões. O Japão é uma dessas regiões.

Com o crescimento da China e o embate entre Pequim e Washington, além da escalada de tensões na península coreana, o Japão tem um papel fundamental na geopolítica internacional. O governo japonês já estuda soluções caseiras como a compra e instalação de sistemas de mísseis Aegis, além do desenvolvimento de armas com a capacidade de atacar bases inimigas a partir do território japonês. Este último armamento seria usado para destruir instalações militares de mísseis da Coreia do Norte, antes mesmo delas lançarem mísseis balísticos em direção ao Japão.

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