Japão, os líderes da Coreia do Sul.

Japão, os líderes da Coreia do Sul.

TÓQUIO – O primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba e o presidente sul-coreano Lee Jae Myung se encontraram no sábado para conversas de cúpula que provavelmente se concentrarão nos atuais desafios econômicos e de segurança, ao mesmo tempo em que se aproveitam do recente degelo nas relações bilaterais.

A escolha de Lee pelo Japão em vez dos Estados Unidos como destino de sua primeira viagem ao exterior para uma reunião bilateral foi um incentivo bem-vindo aos vizinhos asiáticos, que buscavam melhorar as relações apesar das dificuldades decorrentes de seu passado de guerra.

Manter o ritmo de cooperação bilateral e promover intercâmbios entre pessoas, inclusive por meio de um programa de férias, são prioridades para ambas as nações, já que este ano marca o 60º aniversário da normalização de seus laços em 1965.

Esta é a primeira vez desde a normalização dos laços que um presidente sul-coreano escolhe o Japão como destino para uma primeira viagem bilateral ao exterior, um sinal de que Lee está dando maior importância ao vizinho asiático.

"Desenvolver relações estáveis ​​traz benefícios não apenas para o Japão e a Coreia do Sul, mas também para toda a região", disse Ishiba a Lee no início da reunião no gabinete do primeiro-ministro, que estava aberto à mídia.

O segundo encontro presencial de Ishiba e Lee, que se tornaram presidentes em junho, acontece em um momento em que Japão e Coreia do Sul enfrentam desafios semelhantes, que vão desde o desenvolvimento nuclear e de mísseis da Coreia do Norte e a ascensão da China até o declínio das taxas de natalidade no país.

Tóquio e Seul, ambos importantes aliados dos EUA na Ásia, também compartilham o desafio de tentar aprofundar a cooperação em segurança com Washington, ao mesmo tempo em que respondem às ameaças econômicas das tarifas de importação mais altas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

"Assim como nas relações pessoais, as relações entre países também exigem elementos que possam ajudar a gerenciar conflitos e se complementarem", disse Lee.

Em um momento em que a ordem mundial foi abalada por questões comerciais e de segurança, agora é a hora de a Coreia do Sul e o Japão trabalharem juntos, disse Lee.

A visita de Lee ao Japão faz parte dos esforços para manter uma comunicação próxima por meio de viagens recíprocas regulares entre líderes, o que as duas nações chamam de "diplomacia de vaivém". Após um hiato devido ao esfriamento dos laços bilaterais, eles foram retomados sob o comando dos antecessores de Ishiba e Lee.

Apesar do clima otimista e da recente iniciativa dos líderes para desenvolver laços de forma constante, o foco está em se Lee irá expandir a história da guerra durante seu encontro com Ishiba.

O presidente sul-coreano, um liberal que já assumiu uma posição dura em relação à ocupação japonesa da Península Coreana, desde então suavizou sua retórica e adotou uma abordagem mais pragmática.

A questão do pagamento dos trabalhadores coreanos durante a guerra no Japão e das "mulheres de conforto" coreanas, que foram forçadas a trabalhar em bordéis militares japoneses, lançou uma sombra sobre os laços bilaterais.

A visita de Lee ocorre em um momento historicamente delicado para ambos os países.

Marcando o 80º aniversário do fim do domínio colonial japonês (1910-1945) em 15 de agosto, Lee pediu ao Japão que "limpasse" a "longa e pesada" história compartilhada pelas duas nações.

No mesmo dia, Ishiba disse que o Japão deveria gravar no coração das pessoas seu "remorso" e as lições da Segunda Guerra Mundial, usando a expressão pela primeira vez em mais de uma década em um evento comemorativo.

Ishiba e Lee se encontraram pela primeira vez para uma cúpula em junho, à margem da reunião dos líderes do G7, no Canadá.

Espera-se que Lee viaje do Japão para os Estados Unidos para uma cúpula com Trump, onde os dois devem discutir a questão das tarifas.