Japão: Partidos divididos sobre a abolição da pena de morte, segundo pesquisa de grupo de direitos humanos
TÓQUIO – Os partidos políticos japoneses estão divididos sobre a abolição da pena de morte, com o Partido Liberal Democrático, no poder, e a Aliança Reformista, de centro e principal partido da oposição, sem conseguir assumir uma posição clara sobre o assunto, revela uma pesquisa publicada por um grupo de direitos humanos na véspera das eleições gerais de domingo.
No questionário conduzido pela organização Human Rights Now, sediada em Tóquio, o Partido Liberal Democrático (PLD), que governa o país há muito tempo, afirmou que a questão deve ser "cuidadosamente considerada, levando-se em conta a opinião pública", pois "diz respeito aos fundamentos do sistema de justiça criminal".
A nova aliança centrista formada por membros do Partido Democrático Constitucional do Japão e do Komeito, antigo parceiro da coligação governamental do PLD, tomou nota das "críticas internacionais" à pena de morte no Japão, mas acrescentou que as sondagens de opinião mostram que o público a apoia.
"Esperamos aprofundar o debate nacional, tendo a dignidade da vida como perspectiva fundamental", afirmou a aliança.
O Partido da Inovação do Japão, de direita, que se aliou ao PLD liderado por Sanae Takaichi pouco antes de ela se tornar primeira-ministra em outubro, declarou-se contrário à abolição da pena de morte porque "um debate nacional ainda não amadureceu".
A abolição foi apoiada pelo Partido Comunista Japonês, que chamou a pena de morte de "a punição mais brutal", e pelo partido de protesto Reiwa Shinsengumi, que afirmou que tal punição tinha "um aspecto irreversível".
Japão e Estados Unidos são os únicos países do G7 que ainda aplicam a pena de morte.
A pesquisa abrangeu 11 partidos, sendo que alguns pequenos partidos de oposição, incluindo o partido populista de direita Sanseito, não responderam ao questionário dentro do prazo, de acordo com a Human Rights Now.

