A KDDI alega que duas subsidiárias falsificaram receitas no valor de 246 bilhões de ienes.
Duas subsidiárias da KDDI Corp. utilizaram transações fictícias para ocultar seus prejuízos e superestimar suas receitas em um total combinado de 246,1 bilhões de ienes (US$ 1,5 bilhão), afirmou um comitê especial de investigação em 31 de março.
A investigação revelou que as subsidiárias – Biglobe Inc. e G-Plan Inc. – se envolveram em transações fraudulentas com 21 das suas 218 agências de publicidade clientes, e que 99,7% das receitas das empresas provinham dessa fraude.
Como resultado, o lucro bruto total das subsidiárias aumentou em 49,9 bilhões de ienes, afirmou o comitê.
Além disso, 32,9 bilhões de ienes foram transferidos de empresas para agências de publicidade externas na forma de comissões.
Este é um dos maiores casos de declaração fraudulenta de rendimentos no Japão.
O presidente da KDDI, Hiromichi Matsuda, pediu desculpas em uma coletiva de imprensa.
"Apresento minhas mais sinceras desculpas pelo significativo transtorno e preocupação que isso causou a muitas partes interessadas devido a transações inadequadas em nossas subsidiárias", disse Matsuda.
Segundo o relatório da comissão especial de investigação, dois funcionários da G-Plan Inc., transferidos temporariamente para a Biglobe, perpetraram o esquema.
Um desses funcionários iniciou suas atividades fraudulentas já em agosto de 2018 para encobrir prejuízos com atividades publicitárias que havia lançado e para atingir suas metas de vendas, indica o relatório.
Embora o funcionário que orquestrou o esquema tenha alegado que "não fez isso para obter ganho pessoal", a investigação revelou que ele recebeu aproximadamente 30 milhões de ienes em dinheiro vivo — aparentemente para refeições e outras despesas — de representantes de certas agências de publicidade envolvidas nas transações entre setembro de 2023 e dezembro de 2025.
"Não podemos descartar a possibilidade de que o recebimento desses benefícios tenha sido um dos motivos pelos quais as transações não foram interrompidas", afirmou a comissão.
Ele também concluiu que nenhum outro indivíduo estava envolvido e que não se tratava de um esforço organizado por toda a empresa.
Matsuda e o presidente da KDDI, Makoto Takahashi, devolverão 30% de seus salários mensais durante três meses.
Os presidentes e outros executivos-chave da Biglobe e da G-Plan renunciaram em 31 de março. Os dois funcionários envolvidos foram demitidos.
A KDDI planeja tomar medidas legais contra os envolvidos para recuperar o prejuízo. A empresa também está considerando apresentar uma queixa-crime.
Em 14 de janeiro, a KDDI estabeleceu uma comissão especial de investigação, presidida pelo advogado Toshiya Natori, ex-promotor do Ministério Público.
Essa decisão segue um comunicado divulgado em 6 de fevereiro, que detalhou as conclusões iniciais da investigação interna da empresa.

