O Banco do Japão (BoJ) sinaliza a necessidade de aumentar as taxas de juros para evitar distorções.
TÓQUIO – Um membro do conselho de administração do Banco do Japão defendeu nesta quinta-feira um aumento da taxa de juros para evitar distorções futuras, afirmando que os níveis atuais são "significativamente baixos" quando se leva em consideração a inflação.
"Acredito que o banco precisa normalizar as taxas de juros, ou seja, trazer as taxas de juros reais de volta a um estado de equilíbrio, para evitar distorções não intencionais no futuro", disse Junko Koeda em um discurso em Niigata.
As declarações de Koeda surgem num momento em que alguns participantes do mercado acreditam que se tornou difícil para o banco central manter um ciclo de aumentos das taxas de juro sob o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi, que privilegia os gastos fiscais e uma política monetária expansionista.
Takaichi, que assumiu o cargo no mês passado, já expressou sua preocupação de que um aperto monetário precipitado possa desacelerar o crescimento econômico.
Em seu discurso, Koeda observou, no entanto, que as condições financeiras provavelmente permanecerão favoráveis, "continuando a estimular o consumo e o investimento", mesmo que a banda negativa da taxa de juros real se estreite ligeiramente.
Com o aumento dos preços a afetar as famílias e a contínua desvalorização do iene face ao dólar americano e a outras moedas, a atenção do mercado volta-se para a próxima decisão de política monetária do Banco do Japão.
O iene tem sofrido pressão vendedora recentemente, em parte devido às crescentes preocupações com a saúde fiscal do Japão, enquanto o governo Takaichi se prepara para formular um plano de estímulo econômico em larga escala.
Com a queda do iene para o seu nível mais baixo em 10 meses, a 157 por dólar, o Secretário-Chefe do Gabinete, Minoru Kihara, alertou que o Japão estava preocupado com os recentes movimentos cambiais "rápidos" e "unilaterais".
O Japão está monitorando os desdobramentos em sua moeda "com grande senso de urgência", disse Kihara, principal porta-voz do governo, em uma coletiva de imprensa regular.
Em outubro, o banco central manteve sua taxa básica de juros inalterada em torno de 0,5% pela sexta reunião consecutiva, mas dois membros com postura mais agressiva – Hajime Takata e Naoki Tamura – propuseram um aumento da taxa para cerca de 0,75% nas duas últimas reuniões.

