A Câmara Baixa do Japão aprovou um projeto de lei para a criação de uma nova agência de inteligência, que provavelmente entrará em vigor em julho.
TÓQUIO – A Câmara dos Representantes do Japão aprovou na quinta-feira um projeto de lei para criar um comitê nacional de inteligência, com o objetivo de fortalecer a capacidade do governo de coletar informações. A aprovação é esperada antes do fim da atual sessão parlamentar, em meados de julho, e o projeto conta com o apoio dos principais partidos de oposição.
Essa legislação surge em um momento em que a primeira-ministra Sanae Takaichi, uma defensora ferrenha da segurança nacional, busca centralizar as capacidades de inteligência do país em um único conselho, diante de ameaças estrangeiras cada vez mais sofisticadas, incluindo aquelas relacionadas à segurança econômica e à espionagem estrangeira.
Apoiado pelo bloco governista do Partido Liberal Democrático e seu parceiro minoritário, o Partido da Inovação do Japão, bem como por alguns partidos da oposição, o projeto de lei foi aprovado pela poderosa câmara baixa um dia após a adoção de uma resolução adicional destinada a proteger informações pessoais.
A resolução adicional garantiu o apoio ao projeto de lei do maior partido da oposição na câmara baixa, a Aliança Reformista Centrista, bem como do Partido Democrático para o Povo e de outros dois partidos.
Com o apoio dos partidos da oposição, espera-se que o projeto de lei seja aprovado pela Câmara dos Conselheiros, onde a coligação governamental permanece em minoria, e adotado durante a sessão de 150 dias da Dieta, que se estende até 17 de julho.
Após a promulgação, o LDP e o JIP de Takaichi pretendem lançar o comitê até o verão.
O secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, afirmou em uma coletiva de imprensa na quinta-feira que o projeto de lei contribuirá para "uma tomada de decisão sábia por parte do governo, baseada em informações mais precisas e oportunas no atual contexto internacional complexo e desafiador".
Criado em resposta a preocupações com a segurança nacional, incluindo a interferência eleitoral por meio de desinformação nas redes sociais, o comitê será presidido pelo Primeiro-Ministro e composto por outros nove membros do Gabinete, incluindo o Secretário-Chefe do Gabinete e o Ministro das Relações Exteriores. Ele consolidará um aparato de inteligência fragmentado em um comando central.
O projeto de lei estipula que o secretariado do comitê irá "coordenar globalmente" as informações coletadas pela Agência Nacional de Polícia, pelo Ministério das Relações Exteriores, pelo Ministério da Defesa e por outras organizações, com o poder de solicitar que compartilhem informações.
Durante o debate parlamentar sobre o projeto de lei, os partidos da oposição expressaram preocupações sobre as potenciais ameaças à privacidade representadas pelo novo órgão e sobre a sua capacidade de se manter politicamente neutro.
A resolução adicional não vinculativa foi apresentada em resposta aos apelos por legislação para proteger dados pessoais. Ela estipula que informações sobre políticos ou atividades eleitorais não serão coletadas com o objetivo de beneficiar ou prejudicar entidades políticas específicas.

