A China enviou mais uma carta ao secretário-geral da ONU após as declarações do primeiro-ministro japonês sobre Taiwan.
NOVA IORQUE — O embaixador da China nas Nações Unidas enviou nesta segunda-feira outra carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, criticando o primeiro-ministro japonês, Sanae Takaichi, por suas declarações "provocativas" sobre Taiwan e instando-o a retirá-las imediatamente.
Em meio à intensificação do conflito diplomático entre os dois países asiáticos, a segunda carta de Fu Cong refuta a posição do Japão, apresentada por seu embaixador na ONU, Kazuyuki Yamazaki, em 24 de novembro, e acusa Tóquio de "apresentar argumentos descabidos".
A China adotou uma postura firme contra o Japão desde que Takaichi sugeriu, em 7 de novembro, durante seu discurso no parlamento, que um ataque a Taiwan poderia constituir uma ameaça existencial para o Japão e justificar uma resposta de suas Forças de Autodefesa, quando um parlamentar da oposição o questionou sobre tal situação hipotética.
A carta de Fu, dando sequência àquela enviada a Guterres em 21 de novembro, alertava que "a comunidade internacional deve permanecer muito vigilante diante das ambições do Japão de expandir suas capacidades militares e reviver o militarismo".
Na terça-feira, em Tóquio, o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, declarou em coletiva de imprensa que as alegações da China eram "completamente falsas" e "totalmente inaceitáveis", acrescentando que o Japão tem "contribuído constantemente para a paz e a prosperidade" da comunidade mundial desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
A China considera Taiwan uma província rebelde que deve ser reunida ao continente, pela força se necessário, e Pequim aumentou a escala e a frequência de seus exercícios militares ao redor da ilha democrática.
Em sua carta de resposta ao secretário-geral da ONU, Yamazaki enfatizou que a política fundamental do Japão é uma estratégia focada exclusivamente na defesa. Ele argumentou que a alegação da China de que Tóquio exerceria seu direito à autodefesa na ausência de um ataque armado era incorreta.
Yamazaki também afirmou que a posição do Japão em relação a Taiwan não mudou desde que o Japão e a China normalizaram as relações diplomáticas em 1972, e que Tóquio espera que a questão de Taiwan seja resolvida pacificamente por meio do diálogo.

