A arrecadação de fundos online está se espalhando entre os partidos políticos japoneses.
TÓQUIO – A crescente acessibilidade a ferramentas de arrecadação de fundos online, incluindo o financiamento coletivo, levou os partidos políticos japoneses a recorrerem cada vez mais ao financiamento pela internet, de acordo com figuras dos partidos, enquanto especialistas enfatizam a necessidade de novas regras para garantir a transparência desse dinheiro.
O partido Sanseito, um grupo populista emergente que deu um grande salto nas eleições para a Câmara dos Conselheiros em julho com seu lema "Japão Primeiro", arrecadou cerca de 197 milhões de ienes (US$ 1,3 milhão) de mais de 8.000 pessoas em sua campanha de financiamento coletivo pré-eleitoral.
Esse valor representa mais que o dobro dos 77 milhões de ienes arrecadados pelo partido para a disputa por uma vaga na Câmara dos Representantes em outubro do ano passado, por meio de uma campanha de arrecadação online, que normalmente envolve pequenas doações de pessoas físicas.
Um dirigente partidário, cuja organização oferecia brindes de agradecimento, como toalhas e guarda-chuvas, aos doadores, atribuiu a popularidade do financiamento coletivo à sua praticidade de "proporcionar uma sensação de participação" nas atividades políticas.
O Partido Democrático Popular, um dos principais partidos de oposição que ganhou destaque nas eleições recentes ao prometer aumentar a renda líquida da geração trabalhadora, também arrecadou cerca de 72 milhões de ienes em uma campanha de financiamento coletivo para a disputa por uma vaga na câmara alta em julho.
O DPP se vangloria da popularidade de seu canal no YouTube, que possui aproximadamente 295.000 inscritos. Seu líder, Yuichiro Tamaki, publica vídeos online há muito tempo e se autodenomina o "YouTuber de Nagatacho", em referência ao centro político do Japão, onde está localizado o parlamento.
O Reiwa Shinsengumi, uma pequena força de oposição anti-establishment liderada pelo ex-apresentador de TV e ator Taro Yamamoto, declarou ter arrecadado cerca de 16 milhões de ienes em receita publicitária com seus programas no YouTube, segundo seu relatório de fundos políticos de 2024, divulgado no mês passado.
Segundo o Ministério do Interior e das Comunicações, atualmente não existem regulamentações sobre a declaração de arrecadação de fundos online, o que dificulta saber qual a proporção das doações de cada partido provenientes de financiamento online.
Em relação ao YouTube, a distribuição da receita publicitária da plataforma de vídeos depende dos partidos políticos. Em seus relatórios de financiamento político de 2024, Reiwa e Sanseito registraram a receita de suas plataformas como "receita publicitária", mas o DPP não, alegando que seus vídeos no YouTube não são "monetizados" e não contêm anúncios.
Masahito Tadano, professor da faculdade de direito da Universidade Hitotsubashi, afirmou que será necessário estabelecer regras para a arrecadação de fundos online por partidos políticos, observando que pode ser "difícil determinar se o financiamento coletivo se qualifica como uma doação (política)" devido à sua conveniência e natureza ocasional.

