A confiança entre os principais formuladores de políticas japoneses melhorou em dezembro, reforçando as apostas em um aumento da taxa de juros pelo Banco do Japão.
TÓQUIO – A confiança empresarial entre as principais indústrias japonesas melhorou pelo terceiro trimestre consecutivo em dezembro, segundo pesquisa Tankan do Banco do Japão divulgada nesta segunda-feira, reforçando as expectativas de um aumento da taxa de juros pelo banco central ainda esta semana.
Refletindo a diminuição das incertezas relacionadas ao aumento das tarifas americanas, o índice que mede a confiança entre empresas, como as dos setores automotivo e eletrônico, subiu de 14 três meses antes para 15, o nível mais alto desde dezembro de 2021, correspondendo à previsão média do mercado em uma contagem da Kyodo News.
O índice de grandes empresas não manufatureiras, incluindo o setor de serviços, permaneceu inalterado em relação à pesquisa anterior, de setembro, em 34, mas espera-se que caia para 28 em três meses devido às crescentes preocupações com a queda no número de turistas estrangeiros resultante da deterioração das relações entre o Japão e a China.
O Índice Tankan representa a percentagem de empresas que reportam condições favoráveis menos a percentagem que reporta condições desfavoráveis.
A expectativa é de que a confiança entre os principais industriais permaneça inalterada em 15 pontos, após a redução das pesadas tarifas americanas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em setembro, em troca de investimentos maciços do Japão nos Estados Unidos, conforme um acordo comercial bilateral firmado em julho.
"Com a diminuição da incerteza em torno das tarifas americanas, os fabricantes têm demonstrado grande resiliência", disse Yuichi Kodama, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Meiji Yasuda.
"Quanto às perspectivas para os setores não industriais, é improvável que o seu sentimento se deteriore significativamente em comparação com o dos fabricantes, portanto não há motivo para preocupação excessiva", acrescentou.
Os dados mais recentes do Tankan estarão entre os documentos analisados na reunião de política monetária do Banco do Japão, que dura dois dias e termina na sexta-feira. Nessa reunião, espera-se que o banco aumente sua taxa básica de juros pela primeira vez desde janeiro.
A confiança entre os fabricantes de produtos petrolíferos e de carvão subiu de zero para 33 em setembro, liderando a melhoria geral em meio à diminuição das preocupações com o impacto negativo da política comercial dos EUA.
De acordo com o relatório trimestral, a confiança no setor químico subiu de 15 para 22, graças à forte demanda por semicondutores.
A confiança nos veículos motorizados caiu de 10 para 9, mas espera-se que recupere para 10.
Entre os setores não industriais, a confiança nas atividades de transporte e correios subiu 1 ponto, para 27, à medida que as empresas repassaram os custos mais altos para seus preços de venda.
Ao mesmo tempo, a confiança nos serviços de alojamento e alimentação caiu de 26 para 25 e prevê-se que se deteriore para 19, devido a preocupações com uma possível diminuição do número de viajantes chineses.
Considerando a recente desvalorização da moeda japonesa, as empresas esperam que o dólar americano seja negociado a 147,06 ienes durante o ano fiscal de 2025, que termina em março, em comparação com os 145,68 ienes previstos na pesquisa anterior, realizada em setembro, informou o banco central.
O Banco do Japão (BOJ) pesquisou 8.836 empresas, das quais 99,4% responderam entre 11 de novembro e sexta-feira.

