Grandes fabricantes japoneses demonstram confiança em acordo tarifário em setembro, mas perspectiva é nebulosa: Banco do Japão
TÓQUIO – A confiança empresarial entre os principais fabricantes japoneses melhorou pelo segundo trimestre consecutivo após um acordo para cortar tarifas dos EUA, mas a perspectiva foi obscurecida pela cautela quanto ao impacto dos impostos, mostrou uma pesquisa do Banco do Japão na quarta-feira.
O índice de sentimento que mede a confiança entre empresas como as dos setores automotivo e eletrônico subiu para 14 em setembro, de 13 meses antes, um pouco abaixo da previsão média do mercado de 15 em uma contagem da Kyodo News.
O índice para grandes empresas não manufatureiras, incluindo o setor de serviços, permaneceu inalterado em relação à pesquisa anterior, em junho, em 34, pois elas se beneficiaram da adoção de custos mais altos para os clientes, mas estavam sujeitas ao aumento de preços que levou os consumidores a apertar o cinto.
Olhando para o futuro, no entanto, espera-se que o sentimento entre os grandes fabricantes piore para 12, e entre os grandes não fabricantes caia para 28, de acordo com a pesquisa trimestral do banco central.
O último tankan foi o primeiro lançado desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, aliviou os impostos sobre produtos japoneses após um acordo comercial bilateral em julho, cortando a tarifa de automóveis de 27,5% para 15% em meados de setembro.
“A melhora (no sentimento dos principais fabricantes) foi limitada, pois as incertezas persistem mesmo depois que o Japão e os Estados Unidos chegaram a um acordo”, disse Yuichi Kodama, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Meiji Yasuda.
Os dados mais recentes farão parte dos documentos avaliados na próxima reunião de política do BOJ no final de outubro, depois que o banco central manteve as taxas de juros estáveis pela quinta reunião de política consecutiva em setembro.
"Uma melhora maior tornaria mais fácil para o BOJ retomar os aumentos das taxas", disse Kodama, acrescentando que o último resultado de Tankan provavelmente será neutro em relação à perspectiva de aumentos nas taxas de juros.
Entre os fabricantes, o sentimento sobre veículos automotores subiu para 10 em junho, mas deve retornar para 8.
A confiança entre construtores navais e fabricantes de máquinas pesadas aumentou de 27 para 36, pois eles conseguiram repassar os custos crescentes aos clientes por meio de preços mais altos, disse o BOJ.
Em contraste, a confiança entre as empresas de ferro e aço caiu de menos 3 para menos 14, pois elas levaram em conta o impacto de impostos mais altos.
Entre os não fabricantes, a confiança no setor de hotéis e restaurantes caiu de 45 para 26, refletindo uma desaceleração no número de visitantes estrangeiros ao Japão.
O Índice Tankan representa a porcentagem de empresas que relatam condições favoráveis menos a porcentagem que relatam condições desfavoráveis.
Em câmbio, as empresas japonesas esperam que o dólar americano seja negociado a 145,68 ienes no ano fiscal de 2025, a partir de abril, abaixo dos 145,72 ienes da pesquisa anterior, em junho, disse o banco central.
O BOJ entrevistou 8.870 empresas, 99,4% das quais responderam entre 27 de agosto e terça-feira.

