O cultivo de algas marinhas em Hokkaido ajudou a transformar a vida das mulheres locais.
RAUSU, Hokkaido – Risa Kase compara alguns encontros fortuitos que mudaram o rumo de sua vida a dois amores à primeira vista.
A primeira vez foi quando Kase tinha 25 anos e se deparou com um artigo sobre a associação de turismo Shiretoko Rausu, que estava procurando preencher uma vaga de secretário-geral.
Após se formar na prestigiosa Universidade Aoyama Gakuin, em Tóquio, Kase'Seu primeiro emprego foi em uma startup. Ela se demitiu depois de menos de um ano para abrir um negócio de atacado, fornecendo produtos alimentícios de qualidade de Hokkaido para o resto do Japão.
Kase, agora com 44 anos, deparou-se com o artigo sobre os apelos por ajuda enquanto viajava pela região de Kansai, no oeste do Japão. Apesar de estar trabalhando em algo que amava, Kase duvidava que isso tivesse muita importância a longo prazo.
“Escolher e enviar apenas as melhores partes (de Hokkaido) pode ser injusto”, lembra Kase. “As verdadeiras iguarias devem ser apreciadas com o vento, a água, o céu, as montanhas e o mar da própria região onde são produzidas.”
Kase candidatou-se e ganhou o cargo de Secretária-Geral da Associação de Turismo de Shiretoko Rausu. Sua missão era promover o turismo sustentável com foco na indústria pesqueira local.
Ela então conheceu e se apaixonou por um pescador de algas, largou o emprego e se casou. Sem perceber, Kase já era conhecida entre os moradores locais como a "mãe da praia", criando não apenas konbu, mas também três filhos.
Seu segundo encontro fatídico ocorreu quando ela tinha 42 anos e era parte integrante de sua família.isto é empresa de cultivo de algas marinhas e cada vez mais alarmada com o futuro da pesca devido ao impacto do aquecimento global.
Kase começou a procurar uma nova fonte de renda para sua família. Ela teve um momento de inspiração durante uma visita à casa de hóspedes de um amigo em uma cidade próxima.
Sua ideia era permitir que turistas de fora de Rausu "se hospedassem aqui como se fossem trabalhadores residentes". Isso significaria compartilhar a riqueza da gastronomia e da natureza da região com os hóspedes.
Em fevereiro, Kase inaugurou um hostel especializado, reformado a partir de uma antiga fazenda de algas marinhas com 40 anos de história. O estabelecimento aceita um grupo de pessoas por dia.
O hostel ocupa o segundo andar. O primeiro andar oferece um espaço dedicado que permite aos hóspedes descobrir a produção de algas marinhas com os pescadores de konbu.
Chefs e entusiastas da gastronomia acorreram a Rausu, na ilha principal mais ao norte do Japão, vindos de lugares tão distantes quanto Tóquio, Copenhague, Barcelona e todos os pontos cardeais, para descobrir o segredo do "caldo de kombu mais luxuoso do mundo".
O que ela criou em Rausu incorpora a forma "verdadeira" de revitalização local com a qual Kase sonhava quando tinha 25 anos.

