A dissuasão nuclear dos EUA está chegando ao fim; aliados precisam de alternativas (especialista)
LONDRES — Um professor da Universidade de Oxford alertou que a dissuasão nuclear prolongada fornecida pelos Estados Unidos está "chegando ao fim", instando os aliados, incluindo o Japão, a considerarem outras opções.
Janina Dill, codiretora do Instituto de Ética, Direito e Conflito Armado de Oxford, afirmou em entrevista online à Kyodo News que as ameaças nucleares russas e chinesas significam que o Japão e a Europa são incapazes de enfrentar esses estados armados convencionalmente.
Embora o Japão e a Europa estejam abrangidos pela dissuasão alargada dos Estados Unidos, esta pode já não ser eficaz na sequência da política "América Primeiro" da segunda administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, segundo o professor.
"O Japão vive muito perto de uma potência hegemônica considerada adversária e que possui um arsenal nuclear significativo" e, como tal, precisa "em certo sentido do apoio da dissuasão nuclear", afirmou ela.
Embora dependa do guarda-chuva nuclear americano, o Japão, o único país a ter sofrido bombardeios atômicos, permanece comprometido com seus três princípios relativos às armas não nucleares.
Dill, especialista em segurança global e direito internacional humanitário, observou que a Europa também enfrenta "uma Rússia hostil com um vasto arsenal nuclear e que fez ameaças nucleares".
Embora a Europa se beneficie da proteção adicional dos mísseis nucleares britânicos e franceses, isso não é suficiente sem a dissuasão ampliada dos Estados Unidos, acrescentou o professor.
A entrevista ocorreu na véspera do quinto aniversário da entrada em vigor do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, em 22 de janeiro de 2021.
O tratado visa proibir completamente o uso, o desenvolvimento, a produção e a posse de armas nucleares. Embora o acordo tenha sido ratificado por 74 estados, nenhuma potência nuclear global o assinou.
Isso não é surpreendente, disse Dill, porque assinar ou ratificar o acordo "imporia obrigações que os obrigariam a reconfigurar radicalmente sua própria arquitetura e postura de segurança".
Ela afirmou que, embora o tratado possa ser um ponto de convergência para os esforços nacionais em prol do desarmamento nuclear, ele representa, em última análise, uma divisão entre os estados que possuem armas nucleares e aqueles que não as possuem.
"Estamos testemunhando uma corrida armamentista e acho que o nível de ameaça nuclear é maior do que nunca", disse ela.

