A monogamia não é a única opção para um escritor de Tóquio em busca do amor.
NAGOYA – Para Kinoko, o amor nunca foi algo que se encaixasse perfeitamente em uma caixa.
Kinoko, uma escritora de gênero fluido na casa dos quarenta anos que vive em Tóquio, às vezes namora várias pessoas ao mesmo tempo – não por meio de engano, mas com honestidade e consentimento mútuo.
A prática de "amar muito", como faz Kinoko, é chamada de poliamor.
"Quando você desenvolve sentimentos por mais de uma pessoa", explica Kinoko (um pseudônimo), "quero que as pessoas saibam que existe outra opção: você não precisa escolher entre desistir (do primeiro relacionamento) ou ser infiel."
Kinoko, que se identifica como gênero não-binário – ou seja, não se identifica estritamente como homem ou mulher – cresceu na província de Fukuoka e obteve um diploma de pós-graduação pela Universidade de Kyushu. Depois de se mudar para a região de Kanto, começou a trabalhar como escritor(a) em Tóquio, aceitando trabalhos tanto no Japão quanto no exterior.
Desde 2012, Kinoko mantém um relacionamento com um homem na casa dos quarenta anos, da província de Kumamoto. Eles se conheceram por meio de um amigo em comum e, atraída por seu sorriso cativante, Kinoko diz que foi amor à primeira vista.
Antes de começarem a namorar, Kinoko contou-lhe abertamente que eram poliamorosos. Kinoko teve outros três parceiros em algum momento do relacionamento.
"No início, eu me sentia ansioso e com ciúmes quando (Kinoko) saía com outras pessoas, e isso causava discussões", lembra o homem.
Ele conversava com Kinoko todos os dias e às vezes se juntava a ela quando se encontravam com seus outros parceiros para as refeições. Ver seus parceiros pessoalmente, disse ele, ajudava a dissipar suas dúvidas.
"Conhecê-los me causou uma boa impressão. Entendi por que (Kinoko) se importava com eles."
Após cerca de três anos, ele alcançou uma espécie de paz. "Mesmo que (Kinoko) tenha outros parceiros", diz ele, "o carinho deles por mim não diminui".
Hoje, uma década depois, o relacionamento entre o homem e Kinoko é forte. Quando Kinoko desenvolve sentimentos por alguém novo, seu parceiro a ouve e a apoia.
O homem também possui outras alianças, e todos os envolvidos estão cientes e aceitam o acordo. "Kinoko é uma pessoa importante que me ajudou a mudar meus valores", diz ele.
A jornada de Kinoko no poliamor começou quando ela tinha por volta de 28 anos. Ela namorou pela primeira vez na adolescência, mas depois de entrar na universidade, rapidamente se apaixonou por outra pessoa.
“Eu tinha medo de que fosse estranho ter sentimentos por mais de uma pessoa”, lembra Kinoko. Durante uma aula de antropologia, eles aprenderam sobre poligamia e, por meio de pesquisas adicionais, descobriram o conceito de poliamor.
No entanto, Kinoko não estava pronta para aceitar isso imediatamente. Durante a década seguinte, tentou amar um parceiro de cada vez. Mas, após um término doloroso com alguém a quem esperava ser fiel, decidiu que não podia mais negar seus verdadeiros desejos.
“Mesmo que isso significasse ser rejeitada por todos ou me sentir sozinha”, disse Kinoko, “eu queria viver honestamente comigo mesma”. A partir daí, eles se comprometeram a viver uma vida poliamorosa.
O poliamor, como conceito social, ganhou visibilidade nos Estados Unidos nas décadas de 1980 e 1990.
Algumas municipalidades agora reconhecem oficialmente os relacionamentos poliamorosos, concedendo benefícios como cobertura médica compartilhada e direito de visita hospitalar.
No Japão, porém, o poliamor ainda enfrenta obstáculos sociais, uma vez que seus seguidores se deparam com incompreensão e discriminação.
Os críticos às vezes descartam isso com comentários como "Eles simplesmente não conhecem o amor verdadeiro", ou "Eles não deveriam sentir ciúmes", ou até mesmo "Eles dormem com qualquer um".
No entanto, a conscientização está crescendo lentamente. Em uma pesquisa online recente com 3.000 homens e mulheres, conduzida por uma empresa de eventos, aproximadamente 10% relataram ter namorado alguém que pratica o poliamor.
Kinoko não espera que suas escolhas agradem à maioria. "Não estou tentando recomendar o poliamor para todos", diz. "Só quero que as pessoas reflitam mais profundamente sobre o tipo de relacionamento que realmente pode fazê-las felizes."

