A política de distribuição de arroz é retomada às vésperas das eleições no Japão, com o primeiro-ministro Takaichi mudando de rumo.
TÓQUIO – As eleições gerais japonesas de 8 de fevereiro trouxeram a política de arroz de volta ao centro das atenções, depois que a primeira-ministra Sanae Takaichi abandonou uma política de expansão da produção e das exportações, retornando a uma estratégia de produção orientada pela demanda, visto que os preços permanecem altos, pressionando os consumidores.
Os preços do arroz no varejo têm se mantido em torno de 4.000 ienes (US$ 26) por 5 quilos, em média, em todo o país. Nos últimos anos, o aumento de preço tem sido tão acentuado que foi apelidado de "crise do arroz Reiwa", uma referência à atual era imperial do Japão.
O governo do ex-primeiro-ministro Shigeru Ishiba – antecessor de Takaichi – buscou conter a alta dos preços liberando estoques governamentais de arroz. Os preços caíram temporariamente para cerca de 3.000 ienes por 5 kg, mas a queda foi de curta duração.
Ishiba havia proposto acabar com os controles de produção de fato, concebidos para apoiar os agricultores, limitando a produção de arroz e reorientando a política para volumes maiores e maiores exportações, mas o governo Takaichi abandonou esse plano.
Um alto executivo de uma grande distribuidora de arroz expressou frustração com o governo Takaichi, afirmando que este está excessivamente focado em manter os preços elevados. Mesmo considerando o aumento dos custos de produção, os preços do arroz permanecem em níveis que ele descreveu como "anormalmente altos".
No entanto, alguns funcionários do Ministério da Agricultura, assim como grupos agrícolas, recuaram, argumentando que seria irresponsável aumentar a produção sem encontrar compradores, embora um aumento na produção de arroz pudesse ajudar a reduzir os preços.
O Partido Liberal Democrático (PLD) de Takaichi prometeu manter a produção e as vendas em linha com a demanda. Para evitar uma nova alta nos preços do arroz, o PLD afirmou que monitorará de perto a distribuição e buscará condições de mercado aceitáveis tanto para produtores quanto para consumidores.
O Partido da Inovação do Japão, que formou uma coligação com o PLD desde que Takaichi assumiu o cargo em outubro, defende a expansão da produção, do consumo e das exportações, ao mesmo tempo que promove a consolidação de terras agrícolas.
A Aliança para a Reforma, partido centrista e principal da oposição, formada em janeiro antes das eleições para a Câmara dos Representantes, afirmou que revisaria fundamentalmente a política de arroz, deixando de lado a simples redução ou aumento da produção para garantir um abastecimento estável.
O partido de centro-esquerda, que tem contestado a postura conservadora de Takaichi em relação à política interna, afirmou que fará pagamentos diretos para apoiar os agricultores em caso de excesso de oferta que possa levar a uma queda acentuada nos preços.
O Partido Democrático Popular apresentou um plano para fornecer pagamentos com base na área de terra cultivada com arroz, a fim de promover a estabilidade dos negócios no setor agrícola. O partido também prometeu implementar medidas eficazes para aumentar a renda disponível.
Outros pequenos partidos de esquerda instaram o governo a estabilizar a oferta, a procura e os preços, exigindo preços garantidos para os produtos agrícolas e compensação de rendimentos para os agricultores.
Um pequeno partido conservador declarou que seu objetivo é tornar o Japão 100% autossuficiente em alimentos e aumentar a produção de arroz.

