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A corrida do Japão pelo petróleo americano está fazendo com que as tarifas do Canal do Panamá disparem.

Com mais de 90% do seu fornecimento de petróleo bruto efetivamente bloqueado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, o Japão está se esforçando para garantir fontes alternativas de petróleo, recorrendo fortemente aos Estados Unidos.

Esse cálculo estratégico, marcado pela recente chegada do primeiro petroleiro americano, faz parte de uma corrida asiática mais ampla pelo petróleo bruto americano, que quase triplicou os custos de trânsito pelo Canal do Panamá.

A Autoridade do Canal do Panamá anunciou em 23 de abril que as taxas de trânsito para alguns navios dispararam, com o preço médio de uma vaga em leilão de última hora subindo de US$ 135.000 a US$ 140.000 (21,5 a 22,3 milhões de ienes) antes dos ataques ao Irã para US$ 385.000 em março e abril.

Um funcionário revelou que um petroleiro pagou o valor recorde de 4 milhões de dólares (cerca de 640 milhões de ienes) para atravessar o país após ser forçado a mudar sua rota da Europa para Singapura devido à escassez de combustível.

O número de navios em trânsito também aumentou, passando de uma média de 34 por dia em janeiro para 36 a 38 em abril.

Segundo uma reportagem do Financial Times, esse aumento diz respeito a 29 navios-tanque que mudaram de rota desde os ataques ao Irã, a maioria em direção à Ásia.

Os principais centros de exportação de petróleo bruto americano estão concentrados ao longo da Costa do Golfo, principalmente em estados como Texas e Louisiana. Os navios-tanque com destino à Ásia podem optar por uma rota mais longa através do Oceano Atlântico e contornando o Cabo da Boa Esperança, ou por uma rota mais curta através do Canal do Panamá.

Embora os maiores petroleiros não consigam transitar pelo canal, os países asiáticos estão tão desesperados para garantir um fornecimento rápido de petróleo bruto que utilizam embarcações menores e mais caras. Para esses navios, a economia de combustível obtida com uma rota mais curta pode compensar os altos custos de trânsito.

UMA LINHA DE SALVAÇÃO PARA O PACÍFICO

Essa dependência de novas rotas ficou evidente em 26 de abril, quando o primeiro petroleiro americano adquirido após o bloqueio de Ormuz chegou ao Japão.

O navio-tanque, adquirido pela Cosmo Energy Holdings Co., entregou sua valiosa carga no Cais Marítimo de Keiyo, uma das maiores instalações de transferência de petróleo do Japão, na Baía de Tóquio.

O carregamento de 910.000 barris, equivalente a 0,3 dias de consumo interno, foi embarcado no Texas em 22 de março e atravessou o Oceano Pacífico pelo Canal do Panamá.

O petróleo bruto será bombeado por meio de um oleoduto submarino até uma refinaria na província de Chiba, onde será processado para produzir gasolina e outros produtos.

A entrega em 26 de abril é apenas o começo. A estratégia de diversificação do Japão é vasta: embora as compras de petróleo bruto americano em maio devam ser quatro vezes maiores do que as do ano anterior, o governo também está adquirindo petróleo de fontes no Oriente Médio fora do Estreito de Ormuz, na Ásia Central, na América Latina e na região da Ásia-Pacífico.

Essas rotas alternativas representaram mais de 20% do volume de importações do ano passado em abril. Em maio, espera-se que o total de importações atinja aproximadamente 60% do nível do ano anterior, com projeções de novos aumentos para junho.

Em 23 de abril, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum anunciou que o México exportaria 1 milhão de barris de petróleo bruto em resposta a um pedido do governo japonês.

Para suprir o déficit atual, o Japão começou a liberar suas reservas domésticas de petróleo, que passaram de oito meses de consumo em março para cerca de sete meses em 21 de abril.

(Este artigo foi compilado a partir de reportagens escritas por Keitaro Fukuchi e pelos correspondentes Yuko Kawasaki e Tetsuya Kasai.)