A cidade de Chiba cultiva flores e cactos comestíveis para revitalizar a terra.
OTAKI, Prefeitura de Chiba – Para revitalizar terras agrícolas abandonadas, as autoridades da cidade de Otaki recorreram a culturas não convencionais que conseguem sobreviver em solos áridos e condições climáticas adversas, resistindo ao ataque de animais nocivos.
Suas soluções comestíveis assumiram a forma de duas flores (hibisco e rosa) e um cacto.
A cidade, localizada a leste de Tóquio, lançou um projeto de revitalização regional em 2022, com foco principal na utilização do crescente número de áreas agrícolas deixadas vagas por agricultores idosos.
A iniciativa conta com a participação de uma empresa de sementes e de um ex-funcionário da prefeitura de Chiba com experiência em políticas agrícolas.
O projeto enfrentou desafios na busca por plantas comestíveis suficientemente resistentes para crescer no solo argiloso e mal drenado da cidade.
A cidade também desejava que as fábricas tivessem poucas áreas de produção concorrentes em todo o Japão.
Em 2023, o governo municipal escolheu especificamente a rosela, um tipo de hibisco, como primeiro passo para o desenvolvimento de uma nova especialidade local.
O cálice que envolve as pétalas da hibisco torna-se comestível após o término da floração das flores brancas. É processado para a produção de chá, geleia e compota para confeitaria e outros fins.
Em resposta ao apelo de cooperação do município, 14 moradores produziram hibisco, principalmente em seus próprios campos, em caráter experimental.
Durante os testes, a hibisco-da-terra cultivada apresentou um sabor geral distintamente azedo, o que reduziu as preocupações de que javalis ou veados-muntjac devorassem as plantas.
Esse sucesso deu novo ímpeto ao projeto, com 17 pessoas plantando hibisco durante o ano fiscal de 2024 e 23 durante o ano fiscal atual.
"Passamos da fase de cultivo experimental para a fase de popularização", disse um representante da cidade.
ROSA PARA REFRIGERANTE, SORVETE
Em 2024, durante o segundo ciclo de sua iniciativa agrícola, a cidade de Otaki selecionou uma variedade de rosa comestível reconhecida por seu sabor e aroma distintos.
A decisão foi tomada depois que um tufão na Península de Boso, em 2019, destruiu o sistema de irrigação que datava do início da era Meiji (1868-1912).
Na tentativa de reutilizar os arrozais secos, o governo local selecionou a rosa de acordo com os mesmos critérios de seleção utilizados para o hibisco.
O município arrendou até 3.400 metros quadrados de arrozais em pousio para o cultivo de rosas por moradores locais.
Graças aos espinhos das rosas, que afastavam os animais selvagens, a colheita de pétalas atingiu 409 quilos no verão passado, o segundo ano do programa de cultivo de rosas.
Tanto a hibisco quanto a rosa estão em vias de serem totalmente comercializadas.
A rosela foi bem recebida na estação rodoviária Takeyura no Sato Otaki, em Otaki.
As bagas de hibisco secas podem ser usadas para preparar chá de hibisco na área de descanso, enquanto uma geleia com uma acidez sutil e um dulçor que lembra maçãs caramelizadas está disponível.
Os biscoitos de hibisco caseiros de um café próximo também estão à venda, feitos com ingredientes colhidos pelo proprietário.
Uma destilaria de Otaki usou rosas comestíveis para desenvolver um refrigerante. Uma cafeteria renomada por seus sorvetes de alta qualidade coloca pétalas de rosa e despeja calda de rosas sobre uma tigela de gelo picado, uma prática que se tornou particularmente popular no verão.
OPORTUNIDADE DE EMPREGO ATRAVÉS DA EMBAIXADA DO MÉXICO
Uma reviravolta inesperada ocorreu no verão de 2024, quando uma empresa comercial visitou a prefeitura de Otaki e perguntou se eles estavam interessados em produzir figos-da-índia.
A empresa, afirmando que contatou Otaki por recomendação da embaixada mexicana em Tóquio, acrescentou que compraria toda a colheita se a cidade aceitasse a oferta de bom grado.
"Os cactos têm o potencial de salvar o futuro da Terra", disse a empresa comercial ao governo municipal, referindo-se a uma forte iniciativa da ONU para aumentar a produção de cactos comestíveis e ricos em nutrientes, antecipando uma possível crise alimentar global.
A cidade viu nessa proposta uma oportunidade de negócio.
"A planta espinhosa pode se mostrar eficaz na prevenção do impacto negativo de animais incômodos", disse um funcionário da prefeitura.
A embaixada mexicana atuou como mediadora entre a empresa e a cidade de Otaki.
A cidade japonesa mantém uma relação de geminação com a cidade mexicana de Cuernavaca.
O senhor do domínio da atual cidade de Otaki salvou a tripulação de um navio espanhol que havia naufragado durante o retorno ao México no início do período Edo (1603-1867).
A maior preocupação do município em relação aos cactos era se eles conseguiriam sobreviver às temperaturas invernais abaixo de zero.
Mas, no inverno passado, um tecido não tecido que cobria as plantas ajudou-as a suportar as temperaturas congelantes.
O prefeito de Otaki, Noboru Hirabayashi, enfatizou sua grande esperança de despertar um sentimento de orgulho entre os moradores como parte da política agrícola especializada.
Hirabayashi pretende aproveitar ao máximo as terras agrícolas não utilizadas, cultivando culturas não convencionais e promovendo-as como especialidades regionais.
Outro objetivo é proporcionar à geração de aposentados uma nova fonte de renda, por mais modesta que seja a contribuição pública.
“Ao lançar a rosela, a rosa e o cacto, ainda não sei onde vou parar”, disse Hirabayashi. “Por enquanto, meu desejo é simplesmente continuar avançando como no antigo conto ‘O Milionário de Palha’ (em que um homem fica rico começando com um negócio envolvendo um pedaço de palha), mantendo a paixão que eu tinha no início.”

