A análise por IA dos dados do "Pokémon Sleep" identifica hábitos de sono problemáticos.
TÓQUIO – Um renomado pesquisador japonês da área do sono analisou a relação entre sono e desempenho no trabalho usando dados coletados por meio do aplicativo para smartphone “Pokemon Sleep”, identificando hábitos de sono que impactam negativamente a produtividade.
Masashi Yanagisawa, professor de neurociência da Universidade de Tsukuba, que supervisionou o desenvolvimento do aplicativo, usou inteligência artificial para ajudar sua equipe a analisar um vasto conjunto de dados sobre a qualidade do sono, que antes era difícil de medir.
O aplicativo permite que os usuários criem Pokémons e construam amizades monitorando seus padrões de sono. Ele detecta os movimentos do corpo para determinar os estados de sono e vigília quando colocado na cama. Também pode medir quanto tempo o usuário leva para adormecer, a profundidade do sono e a frequência com que acorda durante a noite.
Yanagisawa e sua equipe de pesquisa universitária analisaram aproximadamente 2,1 milhões de pontos de dados de sono ao longo de 28 dias, coletados de mais de 79.000 adultos trabalhadores no Japão que consentiram em participar do estudo.
Os cinco fenótipos de sono de pessoas com jet lag — sono saudável, sono longo, sono fragmentado, sono de má qualidade e sono social — caracterizados por padrões de sono desalinhados entre dias de semana e fins de semana, foram identificados usando inteligência artificial para analisar as características do sono.
Segundo um artigo publicado em dezembro do ano passado, em comparação com as respostas a uma pesquisa sobre eficiência no trabalho, homens e mulheres nos dois últimos grupos apresentaram os piores resultados em termos de insônia, sonolência diurna e presenteísmo, definido como produtividade reduzida no trabalho apesar da presença física no local de trabalho.
A queda na produtividade foi mais acentuada entre aqueles que sofriam de jet lag social, com uma perda econômica anual estimada em aproximadamente 140.000 ienes (US$ 914) por pessoa, em comparação com aqueles que tinham padrões de sono saudáveis. Se a taxa de prevalência de jet lag social de 16% for extrapolada para toda a força de trabalho japonesa, a perda anual total é estimada em cerca de 1 trilhão de ienes.
O estudo também revelou que a produtividade diminui quando a duração do sono é muito longa ou muito curta, levando a equipe a concluir que seis a nove horas de sono são o ideal. Eles afirmaram que longos períodos de sono constantes podem indicar problemas de saúde subjacentes, como depressão ou apneia do sono, e exigem cautela.
A equipe de pesquisa enfatizou que promover um sono regular é essencial para prevenir a queda de produtividade no ambiente de trabalho. Como tentar recuperar o sono perdido durante o fim de semana pode facilmente desregular o relógio biológico, Yanagisawa recomenda ir para a cama 30 minutos mais cedo durante a semana.
A coleta de dados em larga escala era anteriormente um desafio, já que a pesquisa tradicional sobre o sono dependia de dados de sono autorrelatados por um número relativamente pequeno de participantes.
No futuro, a equipe espera usar smartphones para melhorar os hábitos de sono individuais e ajudar a criar ambientes de trabalho que equilibrem saúde e produtividade.

