O líder da Igreja da Unificação no Japão renuncia e pede desculpas.
O líder da Igreja da Unificação no Japão anunciou sua renúncia após oferecer "sinceras desculpas" às pessoas que disseram ter sido prejudicadas pela organização.
"Nossas atividades causaram profundo sofrimento a algumas pessoas", disse Tomihiro Tanaka, de 69 anos, em uma coletiva de imprensa na sede da Igreja em Tóquio, em 9 de dezembro.
Mas ele explicou que suas desculpas foram oferecidas fora do âmbito da responsabilidade criminal ou civil, enfatizando que a Igreja "nunca cometeu um único crime".
Tanaka foi substituído por Masaichi Hori, de 55 anos, ex-vice-presidente da Igreja no Japão, com efeito a partir de 9 de dezembro.
Em outubro, a Igreja da Unificação, agora oficialmente conhecida como Federação das Famílias pela Paz Mundial e Unificação, criou um comitê de compensação para tratar de pedidos de reembolso de grandes doações.
"Decidimos enfrentar o problema para além dos limites da lei", disse Tanaka, que se tornou presidente da Igreja em 2020.
Ele afirmou que as coisas começaram a caminhar para uma resolução, citando, entre outros desenvolvimentos, vários acordos nos últimos meses em ações coletivas de mediação movidas pela Associação de Advogados de Todo o Japão em nome das vítimas da Igreja da Unificação.
Mas a Igreja enfrenta outro problema sério.
Após uma investigação governamental sobre as atividades financeiras da igreja, incluindo a arrecadação de doações, muitas vezes vultosas, dos fiéis, o Tribunal Distrital de Tóquio ordenou a dissolução da organização religiosa em março.
A Igreja apelou imediatamente.
Caso o Tribunal Superior de Tóquio, que concluiu suas audiências em novembro, confirme a ordem de dissolução, o processo de liquidação terá início.
"Acho que (a ordem de dissolução) será anulada pelo Supremo Tribunal", disse Tanaka.
Questões relacionadas à Igreja atraíram renovada atenção pública após o assassinato do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe em julho de 2022.
Tetsuya Yamagami, o suspeito acusado de assassinato e outros crimes, declarou durante seu julgamento no Tribunal Distrital de Nara que sua família havia entrado em dificuldades financeiras depois que sua mãe fez grandes doações para a igreja, que tinha laços estreitos com Abe.
Quanto ao motivo do ataque a Abe, Yamagami, de 45 anos, disse: "Senti raiva da Igreja e quis atacá-la em retaliação pelo mal que ela me causou."
Ao ser questionado sobre o julgamento de Yamagami, Tanaka afirmou: "É verdade que nossa organização fazia parte do contexto do incidente. Mas suspeito que o motivo não tenha sido singular e tenha envolvido uma combinação de fatores complexos."
Em uma coletiva de imprensa realizada em 9 de dezembro, o advogado Sou Kimura, secretário-geral da Rede Nacional de Advogados Contra a Venda de Produtos Espirituais, afirmou que a renúncia de Tanaka "não representa nenhum tipo de encerramento".

