Foto/Ilustração

Chef que virou líder de torcida da NFL agita o cenário de restaurantes dos Estados Unidos

Quatro anos depois de trocar seus pompons por uma faca de chef, Masako Morishita ganhou uma das honrarias mais prestigiosas da American Dining: o prêmio da James Beard Foundation.

Em 2024, ela foi homenageada na categoria Chef Revelação, ganhando o equivalente a um Oscar de culinária.

Nascida e criada em Kobe, a jornada de Morishita foi tudo menos convencional.

Quando era adolescente e estudava nos Estados Unidos, ela descobriu o esporte de cheerleading. Impressionada com a energia e o atletismo que o esporte exigia, ela retornou ao Japão determinada a dominar o esporte.

Ela passou mais de uma década em treinamento extenuante. Após várias audições, Morishita realizou seu sonho quando, em 2013, conquistou uma vaga na equipe de líderes de torcida do time da NFL Washington Nationals — agora conhecido como Commanders.

Em sua quinta temporada, ela fez história como a primeira capitã estrangeira do time.

Quando finalmente pendurou o uniforme, Morishita dedicou a mesma energia implacável a uma nova paixão: comida.

Ela levou a comida japonesa caseira para Washington, DC, organizando eventos pop-up em vitrines vazias e servindo pratos como curry aromático e shabu-shabu de porco, um ensopado popular com fatias premium de carne de porco.

À medida que sua reputação crescia, um bar de vinhos local a convidou para levar seus talentos a um palco maior.

Há cerca de três anos, Morishita conseguiu um emprego em um restaurante japonês, mas achou o trabalho criativamente sufocante. A cozinha funcionava com um cardápio rígido e dependia de bolinhos congelados "shumai".

Ela convenceu o dono a deixá-la apresentar pratos japoneses em casa com um toque criativo.

Os clientes adoraram. A criação inovadora de Morishita, amêijoas com manteiga de missô, foi inspirada em uma lembrança de infância de seu pai, que cobria uma tigela de arroz com sopa de missô e um pouquinho de manteiga, deixando os sabores se fundirem em uma simplicidade reconfortante.

Surpreendentemente, Morishita nunca frequentou uma escola de culinária. Sua arma secreta, diz ela, é seu paladar apurado, desenvolvido enquanto crescia em Kobe. Sua família administrava uma loja de saquê com um bar ao vivo.

A trajetória incomum de Morihita, combinando atletismo de elite, talento empreendedor e criatividade culinária, a colocou sob os holofotes da mídia americana. O Departamento de Estado a contratou para preparar o almoço durante uma visita oficial do ex-primeiro-ministro Fumio Kishida a Washington.

Além disso, Morishita continua sendo uma raridade entre os donos de restaurantes americanos: uma mulher e imigrante em um campo dominado por homens.

Ela vê essa singularidade como uma força, usando sua visibilidade para desafiar estereótipos sobre a culinária japonesa e defender o que ela chama de “diplomacia cultural por meio da comida”.

Do zero, ela constrói seu próprio caminho, um prato criativo de cada vez.