O membro do comitê de política monetária do Banco do Japão defende novos aumentos nas taxas de juros como parte de uma "mudança de marcha".

O membro do comitê de política monetária do Banco do Japão defende novos aumentos nas taxas de juros como parte de uma "mudança de marcha".

TÓQUIO – O Banco do Japão deverá manter o ritmo de novos aumentos nas taxas de juros para combater a alta dos preços, como parte de uma “nova mudança de rumo” em sua política monetária, após o fim das medidas heterodoxas de afrouxamento monetário há dois anos, disse um funcionário do Banco nesta quinta-feira.

Hajime Takata, conhecido como um dos membros mais conservadores do conselho de administração do Banco do Japão, afirmou que as taxas de juros reais do Japão permanecem significativamente mais baixas do que as observadas no exterior e que as condições financeiras ainda são favoráveis, incentivando consumidores e empresas a contrair empréstimos.

"É necessário prosseguir com novos aumentos de juros de forma gradual", disse ele em um discurso em Kyoto.

A meta de estabilidade de preços de 2% do banco foi "quase" atingida, disse Takata, alertando que "o Japão pode enfrentar um aumento de preços maior do que o esperado se surgirem fatores externos que elevem os preços".

Em uma coletiva de imprensa realizada mais tarde naquele dia, ele afirmou que a desvalorização do iene, que está elevando os custos de importação, está afetando a inflação subjacente do país.

O membro do Conselho de Política Monetária do Banco do Japão enfatizou que as empresas estão cada vez mais tomando medidas para repassar seus custos aos consumidores.

Considerando a possibilidade de aumento da inflação, Takata destacou o risco de o banco "ficar para trás" ou desacelerar seus aumentos de juros, dependendo de várias situações, incluindo medidas de aperto monetário adotadas por seus pares estrangeiros para conter a inflação.

Em sua reunião de política monetária anterior, em janeiro, o banco central manteve sua taxa básica de juros inalterada em 0,75%, após tê-la elevado ao seu nível mais alto em 30 anos na reunião de dezembro.

Na reunião de janeiro, a Takata havia proposto um aumento da taxa de juros para cerca de 1%, alegando riscos crescentes de preços, mas essa proposta foi rejeitada, de acordo com o Banco do Japão.

Em março de 2024, o banco abandonou as medidas heterodoxas de flexibilização monetária da última década, deixando de lado sua política de taxas de juros negativas e seu "programa de teto de rendimento", convencido pelo forte crescimento salarial que lhe permitiu atingir sua meta de inflação de 2%, há muito almejada.

Os mercados financeiros esperavam que o Banco do Japão aumentasse as taxas de juros pelo menos uma vez durante o primeiro semestre deste ano devido à desvalorização do iene, que aumentou as pressões inflacionárias.

No entanto, o cenário ficou incerto na quarta-feira, quando o governo nomeou dois acadêmicos favoráveis ​​a estímulos econômicos para o Conselho Consultivo de Políticas. Ambos são considerados defensores da flexibilização monetária e apoiadores das políticas agressivas de gastos fiscais da primeira-ministra Sanae Takaichi.

A perspectiva também é incerta porque, segundo um relatório, Takaichi expressou relutância em relação a novos aumentos de juros durante uma reunião com o governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, na semana passada.