O suposto líder de um grupo criminoso cambojano fez repetidas viagens ao Japão.
TÓQUIO/HONG KONG – Um executivo do Prince Holding Group, um conglomerado cambojano acusado de ser uma das maiores organizações criminosas transnacionais da Ásia, teria entrado e saído do Japão diversas vezes após ser alvo de sanções dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, disseram fontes próximas ao assunto nesta segunda-feira.
Enquanto as autoridades dos Estados Unidos, da Coreia do Sul e de Taiwan se preparam para confiscar os bens ilícitos da organização, o executivo pode ter buscado refúgio para si e para seus bens no Japão, onde o arcabouço legal para o confisco de bens provenientes de crimes ainda é pouco desenvolvido.
A organização é suspeita de ter adquirido imóveis de luxo em Tóquio e arredores como parte de um possível esquema de lavagem de dinheiro.
A pessoa que, segundo relatos, entrou e saiu do Japão várias vezes é Chen Xiao'er, que seria assessora do presidente do Prince Holding Group, Chen Zhi, atualmente detido na China.
Chen Xiao'er, de origem chinesa, possui cidadania da ilha caribenha de São Cristóvão e Névis e é diretora de uma empresa de investimentos sediada em Palau. O governo dos EUA também impôs sanções a empresas que realizam transações com ele e a partes relacionadas.
Após a confirmação por fontes diplomáticas da visita de um executivo do grupo Prince Holding ao Japão, a Kyodo News analisou os dados de voos de jatos particulares a partir de 14 de outubro, data em que as autoridades americanas e britânicas anunciaram sanções contra o grupo e suas afiliadas.
Segundo os dados, um pequeno avião registrado em San Marino com a matrícula "T7-CLN" viajou entre o Aeroporto de Narita, perto de Tóquio, e Phnom Penh na época em que as sanções foram anunciadas, fazendo mais duas viagens de ida e volta posteriormente.
Descobriu-se que o avião pertencia à CN Breeze Ltd., uma empresa de gestão de ativos com sede em Hong Kong, cujo presidente, Wu An Ming, consta como seu representante no Registro de Empresas de Hong Kong.
Documentos previamente divulgados pela empresa de Hong Kong a uma bolsa de valores identificaram Wu como Chen Xiao'er.
Segundo o governo britânico, ele tem pelo menos quatro nomes diferentes e também possui cidadania cipriota, cambojana e chinesa.
A Kyodo News visitou a sede da CN Breeze em Hong Kong, mas encontrou apenas um escritório alugado e não conseguiu obter informações suficientes da empresa administradora.

