O FMI insta o Japão a evitar a redução do imposto sobre o consumo.

O FMI insta o Japão a evitar a redução do imposto sobre o consumo.

WASHINGTON – O Japão deve evitar cortar o imposto sobre o consumo, afirmou o Fundo Monetário Internacional nesta terça-feira, alertando que tal “medida não direcionada”, destinada a lidar com o crescente custo de vida, poderia agravar ainda mais a saúde fiscal do país.

Este alerta surge no momento em que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, considera suspender o imposto de 8% sobre alimentos e bebidas por dois anos, após a vitória histórica de seu partido nas eleições realizadas no início deste mês.

"O apoio às famílias e empresas vulneráveis ​​mais afetadas pelo aumento do custo de vida ou por choques externos significativos deve ser fiscalmente neutro, temporário e direcionado a esses grupos", afirmou o FMI em comunicado após consultas regulares com as autoridades japonesas.

O FMI alertou que a dívida pública do Japão, a mais alta entre as principais economias, deverá aumentar a longo prazo, apesar dos efeitos positivos das restrições de gastos e do aumento da arrecadação de impostos nos esforços de consolidação fiscal pós-pandemia.

A organização sediada em Washington afirmou que, em vez disso, um "sistema de crédito tributário reembolsável", que o governo japonês está considerando introduzir após a suspensão de dois anos, "se bem projetado, poderia fornecer apoio mais direcionado às famílias japonesas mais vulneráveis".

A ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, declarou em Tóquio que, embora levando em consideração as recomendações do FMI, "a política do governo de alcançar tanto uma economia forte quanto a sustentabilidade fiscal permanece inalterada".

Durante as eleições gerais de 8 de fevereiro, quase todos os partidos políticos japoneses fizeram campanha pela suspensão ou abolição do imposto sobre o consumo de produtos alimentícios, em meio à frustração dos eleitores com o aumento do custo de vida.

Em seu discurso político a ser proferido na sexta-feira, Takaichi prometerá acelerar as discussões sobre a suspensão com o objetivo de chegar a uma conclusão provisória antes do verão, de acordo com uma fonte do governo japonês em Tóquio.

Introduzido em 1989 para cobrir os crescentes custos da previdência social, o imposto sobre o consumo japonês está atualmente fixado em 10% para a maioria dos outros bens e serviços.

Como sempre, o FMI analisou diversas dimensões da economia japonesa, não apenas suas condições fiscais. Afirmou que os riscos para as perspectivas econômicas estavam "inclinados para o lado negativo", citando fatores como a renovação das tensões nas relações entre o Japão e a China.

"A nível nacional, o principal risco continua a ser o fraco consumo, caso o crescimento real dos salários não se torne positivo", acrescenta.

A declaração, que acolhe favoravelmente os aumentos graduais das taxas de juro promovidos pelo Banco do Japão, descreve a política monetária do banco central como adequada e apela à continuidade do afrouxamento monetário.

Ao fazer isso, disse ele, a taxa básica de juros poderia atingir um nível neutro, sem estimular nem prejudicar a economia, em 2027.