O golfista indiano Dagar almeja mais uma medalha de ouro nas Olimpíadas para Surdos de Tóquio.
NOVA DÉLHI – A golfista indiana Diksha Dagar está se preparando para as Olimpíadas para Surdos de Tóquio, determinada a defender seu título e reviver as boas lembranças do Japão que construiu ao participar dos Jogos Olímpicos de 2021.
Dagar tornou-se a primeira golfista a representar a Índia nas Olimpíadas para Surdos de Verão em 2017, mesmo ano em que o esporte estreou nos Jogos. Competindo na categoria individual feminina, ela conquistou a medalha de prata em 2017 em Samsun, na Turquia, e adicionou uma medalha de ouro na edição de 2022 em Caxias do Sul, no Brasil.
"Fico feliz que esse tipo de iniciativa (na área de esportes para surdos) esteja se tornando popular", disse Dagar à Kyodo News em uma entrevista recente antes das Olimpíadas para Surdos de Tóquio, que começaram no sábado.
A jovem de 24 anos, que cresceu em Nova Delhi e praticou vários esportes desde a infância, foi apresentada ao golfe aos seis anos de idade por seu pai, um coronel do exército.
Com deficiência auditiva desde o nascimento, ela começou a usar aparelhos auditivos e a aprender a ler lábios muito cedo na vida.
"Trabalhei exclusivamente com línguas de sinais", disse ela sem hesitar durante uma entrevista, enfatizando que sua deficiência ainda apresenta alguns desafios.
"É difícil entender as instruções dadas por um treinador das arquibancadas durante um torneio", disse ela.
O golfe nas Olimpíadas para Surdos segue as regras padrão do esporte, mas as comunicações de segurança dependem de indicadores visuais, como bandeiras, em vez de apitos ou buzinas, quando o jogo precisa ser suspenso devido a raios ou retomado após atrasos.
Amplamente admirada por seus golpes precisos, Dagar aprendeu esse esporte exclusivamente sob a tutela de seu pai.
Ela ingressou no circuito amador de golfe da Índia em 2012, tornou-se profissional em 2019 e fez história no mesmo ano ao vencer o Ladies European Tour South Africa Women's Open, tornando-se a segunda mulher indiana a vencer um evento do circuito.
O pai de Dagar, Narinder Dagar, que continua sendo seu treinador, expressou sua confiança, ao mesmo tempo em que enfatizou a necessidade de se preparar para o torneio de três dias em Tóquio, que começou na terça-feira.
"Ela provavelmente também é a favorita para vencer (as Olimpíadas para Surdos de Tóquio), com base no ranking e nos resultados anteriores", disse ele. "Mas, é claro, será uma competição, então você precisa se preparar o melhor possível e se manter muito alerta e concentrado."
Sua participação anterior em Tóquio foi em 2021, quando recebeu um convite olímpico de última hora após a desistência de uma golfista sul-africana.
A participação de Dagar foi considerada uma conquista notável para o golfe indiano. Ela terminou empatada em 50º lugar no torneio realizado nos arredores da capital, na província de Saitama.
“Senti que merecia estar lá. E quando cheguei a Tóquio 2021, foi como um sonho realizado”, disse Dagar. “Fiquei muito emocionada; foi uma sensação além da minha imaginação.”
Dagar também participou dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, empatando na 49ª posição.
Além de guardar boas lembranças de Tóquio, Dagar afirmou que admirava o golfista japonês Keita Nakajima.
"Joguei com ele quando tinha 14 anos em Taiwan. Os jogadores japoneses têm um bom jogo curto. Eles batem muito reto. Essa é a única coisa que me impressionou", disse ela.
Dagar é um dos 111 membros da delegação indiana para as Olimpíadas para Surdos de Tóquio, composta por 73 atletas e 38 treinadores, o que a torna a maior delegação indiana já enviada ao evento.
A Índia está participando de 11 modalidades esportivas – atletismo, badminton, golfe, judô, caratê, tiro esportivo, natação, tênis de mesa, taekwondo, luta livre e tênis – em locais nas prefeituras de Tóquio, Shizuoka e Fukushima.
Dagar afirmou que a Índia ainda está progredindo em direção a um melhor apoio aos atletas surdos, observando que o Japão continua à frente na oferta de oportunidades para pessoas com deficiência auditiva.
“Na Índia, eu gostaria que as pessoas surdas tivessem mais apoio e oportunidades… a vida é difícil com deficiência auditiva. Tudo o que queremos é ser tratados com igualdade”, disse ela.

