O governo de Hiroshima pressionará pela abolição das armas nucleares na conferência do TNP como a "única" maneira de alcançar esse objetivo.
HIROSHIMA – O governador de Hiroshima, Mika Yokota, planeja pressionar o mundo a se livrar das armas nucleares em uma importante conferência sobre desarmamento nuclear que será inaugurada ainda este mês em Nova York, afirmando, em uma entrevista recente, que a abolição é "a única maneira de escapar das ameaças" representadas por essas armas.
Yokota será o primeiro governador da província de Hiroshima a discursar em uma sessão de organizações não governamentais na conferência convocada para revisar o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Os prefeitos das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, ambas vítimas das bombas atômicas, também planejam comparecer ao encontro para transmitir mensagens antinucleares.
"Os países estão aumentando sua dependência da dissuasão nuclear, o que contraria a conquista de um mundo pacífico sem armas nucleares", disse o governador de 54 anos, enquanto a França anunciava, em março, que aumentaria seu arsenal de ogivas nucleares, ao passo que a China e a Coreia do Norte continuavam a desenvolver seus arsenais.
"Como governador de uma região que foi bombardeada com bombas atômicas, estou extremamente preocupado."
A Conferência do TNP reúne-se, em princípio, a cada cinco anos para avaliar a situação relativa ao desarmamento nuclear, entre outras questões abrangidas pelo tratado. O tratado conta com 191 partes, incluindo os cinco Estados reconhecidos como detentores de armas nucleares: Reino Unido, China, França, Rússia e Estados Unidos.
No entanto, a conferência não conseguiu adotar um documento final consensual nas duas últimas reuniões, em 2015 e 2022, e as chances de que a próxima, com início previsto para 27 de abril, produza progressos substanciais em meio ao aumento dos conflitos e tensões envolvendo estados com armas nucleares são pequenas.
"As armas nucleares não devem ser usadas, tanto do ponto de vista humanitário quanto ético. Enquanto existirem, há o risco de que sejam usadas", disse Yokota à Kyodo News durante a entrevista.
Ela enfatizou a importância de se avançar rumo a um consenso durante a conferência de um mês, expressando a esperança de que a Prefeitura de Hiroshima pudesse ajudar a "criar impulso".
Yokota também instou o governo japonês a "desempenhar seu papel no desarmamento nuclear", por ser o único país a ter sofrido um bombardeio atômico, e a manter seus chamados três princípios não nucleares, que proíbem a posse, a produção ou a permissão para a introdução de armas nucleares.
O governo japonês enfatizou a importância de manter e fortalecer o regime do TNP para alcançar um mundo sem armas nucleares.
Mas o Japão não aderiu ao Tratado de Proibição Total de Armas Nucleares da ONU, porque uma proibição total entra em conflito com sua política de confiar na dissuasão nuclear dos EUA para sua proteção. Essa posição decepcionou muitos sobreviventes da bomba atômica no país.
À medida que os sobreviventes envelhecem, compartilhar a trágica realidade dos bombardeios atômicos e transmitir essas histórias para a próxima geração é "a missão de Hiroshima", disse Yokota, que se tornou governador no ano passado.
Yokota viajará para os Estados Unidos em 25 de abril. A prefeitura também sediará um evento paralelo com a Prefeitura de Nagasaki e outras entidades sobre a importância de integrar o desarmamento nuclear aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável adotados pelas Nações Unidas.

