O governo está considerando a Ilha Minamitori como um local candidato para o descarte de resíduos nucleares.
TÓQUIO – O governo japonês buscará a concordância de um município de Tóquio para realizar uma investigação a fim de determinar a adequação da Ilha Minamitori, localizada no ponto mais oriental do território do país no Pacífico, para se tornar um local de armazenamento subterrâneo de resíduos altamente radioativos, anunciou o ministro da Indústria nesta terça-feira.
O Ministro da Economia, Comércio e Indústria, Ryosei Akazawa, apresentará o pedido por escrito ao prefeito de Ogasawara, Masaaki Shibuya, ainda hoje, segundo o ministério. Caso a investigação prossiga, será a quarta desse tipo no país.
A Organização de Gestão de Resíduos Nucleares, uma agência quase governamental em Tóquio, iniciou a investigação preliminar em Suttsu e Kamoenai, em Hokkaido, em novembro de 2020, e a terceira em Genkai, na província de Saga, em junho de 2024.
O governo central está com dificuldades para encontrar locais para o descarte de resíduos nucleares. Toyo, na província de Kochi, solicitou uma investigação, mas retirou o pedido em 2007 devido à oposição dos moradores.
Resíduos altamente radioativos são produzidos quando urânio e plutônio são extraídos do combustível nuclear usado, os quais devem ser armazenados em um substrato rochoso a pelo menos 300 metros de profundidade por dezenas de milhares de anos, até que sua radioatividade diminua para níveis que não sejam prejudiciais à saúde humana ou ao meio ambiente.
A ilha de Minamitori, localizada a aproximadamente 1.900 quilômetros a sudeste do centro de Tóquio, não possui população civil; seus únicos habitantes são membros das Forças Marítimas de Autodefesa do Japão e funcionários do governo. Akazawa observou que toda a ilha pertence ao Estado.
Recentemente, a ilha atraiu atenção nacional e internacional quando uma equipe japonesa conseguiu recuperar amostras de lama contendo elementos de terras raras a uma profundidade de aproximadamente 5.600 metros nas águas próximas à remota ilha, no início deste ano.

