O governo japonês detém 11% dos direitos de voto na Rapidus para aumentar a produção nacional de chips.

O governo japonês detém 11% dos direitos de voto na Rapidus para aumentar a produção nacional de chips.

TÓQUIO — O governo japonês anunciou na sexta-feira que se tornou o maior acionista da fabricante de chips estatal Rapidus Corp., detendo 11,5% dos direitos de voto, em sua mais recente iniciativa para estabelecer um fornecimento doméstico estável de semicondutores.

O governo gastou 100 bilhões de ienes (US$ 640 milhões) para adquirir uma participação de 40% na Rapidus, incluindo ações sem direito a voto que podem ser convertidas para assumir o controle majoritário caso os negócios da fabricante de chips sejam ameaçados.

Este investimento elevou o total de capital público-privado injetado na fabricante de chips para 267,6 bilhões de ienes, com outras 32 entidades, incluindo SoftBank Group Corp., Toyota Motor Corp. e Sony Group Corp., também detendo participações.

"Estamos extremamente gratos por termos recebido mais apoio do que o esperado, num contexto de melhor compreensão das necessidades do nosso setor", disse o presidente Atsuyoshi Koike numa conferência de imprensa em Tóquio, no mesmo dia.

Em relação à aquisição de clientes, a Rapidus afirmou estar atualmente em negociações com mais de 60 empresas, a maioria delas internacionais, mas se recusou a nomeá-las.

O governo também detém uma "ação de ouro" que lhe confere poder de veto sobre decisões de gestão importantes, intensificando os esforços para tornar as cadeias de abastecimento mais resilientes, a fim de garantir um fornecimento estável de produtos economicamente essenciais, como os chips.

"Este é um componente fundamental dos investimentos promovidos pelo governo para o crescimento e um projeto nacional que deve ter sucesso no melhor interesse do país", disse Ryosei Akazawa, Ministro da Economia, Comércio e Indústria, em uma coletiva de imprensa.

Durante a conferência de imprensa, a Rapidus afirmou que a "ação de ouro" não afetaria suas decisões comerciais do dia a dia e que se tratava de uma medida destinada a proteger a empresa em caso de problemas de segurança econômica.

Essa iniciativa faz parte dos esforços do Japão para fortalecer sua cadeia de suprimentos de semicondutores no mercado interno, em meio a preocupações de que as tensões geopolíticas, incluindo o aumento das tensões diplomáticas entre o Japão e a China, ameacem interromper a indústria global de semicondutores.

"Alguns clientes podem levar em consideração a rápida evolução dos negócios globais", disse Koike.

O Ministério da Indústria afirmou que planeja investir mais 150 bilhões de ienes até março de 2027 para adquirir ações que, após a conversão, poderão aumentar seus direitos de voto para cerca de 60%.

Fundada em 2022, com um investimento inicial de oito grandes empresas, totalizando 7,3 bilhões de ienes, a Rapidus pretende iniciar a produção em massa de chips avançados utilizando tecnologia de 2 nanômetros no segundo semestre de 2027, em colaboração técnica com a IBM Corp.

Esses chips podem ser usados ​​para alimentar inteligência artificial e veículos autônomos. Um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro.

O governo investiu 1,7 trilhão de ienes em pesquisa e desenvolvimento do Rapidus e planeja subsídios adicionais de cerca de 630 bilhões de ienes até março de 2027 e cerca de 300 bilhões de ienes no ano seguinte.

Os três megabancos japoneses, MUFG Bank, Sumitomo Mitsui Banking Corp. e Mizuho Bank, estão considerando conceder empréstimos de até 2 trilhões de ienes em etapas, desde que sejam garantidos pelo governo, indicaram fontes próximas ao assunto.

A Rapidus precisa de mais de 7 trilhões de ienes para pesquisa e desenvolvimento, bem como para produção em massa, pois planeja produzir chips mais avançados usando tecnologia de 1,4 nanômetros no futuro.

O investimento governamental foi realizado por meio da Agência de Promoção de Tecnologia da Informação do Japão, uma organização administrativa independente sob a jurisdição do Ministério da Economia.