Após a crise, o governo japonês está reorientando sua política de arroz para uma produção impulsionada pela demanda.
TÓQUIO – O governo japonês decidiu nesta sexta-feira promover a produção de arroz de acordo com a demanda e introduzir novas medidas para evitar a escassez, marcando uma mudança em relação à política anterior que aumentava a produção para lidar com os altos preços dos últimos anos.
O governo da primeira-ministra Sanae Takaichi aprovou, em reunião de gabinete, um projeto de lei para revisar a Lei sobre a Estabilidade do Abastecimento e dos Preços dos Produtos Alimentares Básicos e o encaminhou à Dieta no mesmo dia, com o objetivo de evitar a superprodução de arroz.
Essa decisão representa a mais recente mudança na política governamental para o arroz, após o antecessor de Takaichi, Shigeru Ishiba, ter prometido em agosto passado impulsionar a produção e aumentar as exportações para acabar com os controles de produção de fato, que visavam apoiar os agricultores limitando a produção de arroz.
Takaichi, que assumiu o cargo em outubro, distanciou-se das políticas de Ishiba, aparentemente dando ouvidos a vozes dentro de seu próprio Partido Liberal Democrático (PLD), que alertavam para a possibilidade de dificuldades enfrentadas pelos agricultores – uma base de apoio fundamental para o PLD – caso os preços do arroz caíssem devido a um possível excesso de oferta.
Em coletiva de imprensa após a decisão do Gabinete, o Ministro da Agricultura, Florestas e Pescas, Norikazu Suzuki, afirmou que o governo "revogará as disposições relativas aos ajustes de produção baseados na suposição de uma queda na demanda por arroz" e se empenhará para impulsionar o consumo desse alimento básico.
Nos termos do projeto de lei, a legislação revisada estipularia que "o governo promoverá a produção que atenda à demanda" e que os produtores "farão esforços proativos" para esse fim.
Um aumento na produção não está descartado caso a demanda aumente, inclusive a proveniente do exterior.
A política do país em relação a esse alimento básico foi alvo de intenso escrutínio após uma crise do arroz que começou por volta do verão de 2024, com a escassez causando uma disparada nos preços. O governo respondeu liberando a maior parte de suas reservas de emergência para estabilizar o mercado.
Um erro de cálculo nas perspectivas de demanda, particularmente uma subestimação de fatores como o aumento do número de turistas estrangeiros, foi considerado parcialmente responsável pela crise do arroz. As altas temperaturas, que afetaram a oferta, também contribuíram para o aumento dos preços.
Como parte das medidas para prevenir futuras escassez, as revisões legislativas propostas exigiriam que as empresas do setor alimentício reportassem periodicamente seus níveis de estoque de arroz e os preços de transação.
Para complementar as reservas de arroz do governo, que podem ser liberadas rapidamente em caso de escassez, grandes empresas privadas seriam obrigadas a manter estoques de arroz.
Das 1 milhão de toneladas consideradas um nível adequado de reservas de arroz no país, as empresas privadas seriam responsáveis por garantir 200 mil toneladas.
Em caso de escassez de suprimentos, o governo emitiria alertas ou divulgaria publicamente os nomes das empresas que não cumprissem suas ordens de liberação.

