O Japão foi forçado a limitar os danos após as declarações de Takaichi sobre Taiwan.
O governo está tentando amenizar as tensões diplomáticas depois que a China protestou contra a sugestão da primeira-ministra Sanae Takaichi de que o Japão poderia usar a força ao lado dos Estados Unidos em caso de emergência em Taiwan.
O Japão transmitiu a intenção por trás das declarações de Takaichi, bem como a posição oficial de Tóquio, afirmou o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, em 11 de novembro.
"A paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan são cruciais para a segurança do Japão e para a estabilidade da comunidade internacional", disse Kihara em uma coletiva de imprensa. "A posição consistente do governo é esperar por uma resolução pacífica por meio do diálogo."
Kihara também mencionou a cúpula Japão-China de 31 de outubro, durante a qual Takaichi e o presidente chinês Xi Jinping reafirmaram seu compromisso de promover uma "relação mutuamente benéfica baseada em interesses estratégicos comuns".
"Pretendemos fortalecer ainda mais a comunicação em diversas áreas e aprofundar o entendimento mútuo e a cooperação", afirmou.
Ao falar sobre uma possível situação em Taiwan durante uma sessão da comissão de orçamento da câmara baixa em 7 de novembro, Takaichi disse: "Se isso envolver o uso de navios de guerra e o exercício da força, então, independentemente da extensão, poderá constituir uma situação que ameace a sobrevivência do Japão."
Uma situação de ameaça à sobrevivência refere-se a um ataque a um país com laços estreitos com o Japão, que ameaça a sobrevivência do Japão e representa um perigo claro para a vida de seu povo, mesmo que o próprio Japão não seja atacado diretamente.
Este é um pré-requisito legal para que o Japão exerça seu direito à autodefesa coletiva.
As declarações de Takaichi indicaram que, dependendo das circunstâncias, as Forças de Autodefesa poderiam recorrer à força ao lado dos militares dos EUA em uma eventual intervenção em Taiwan, marcando uma ruptura com as posições oficiais dos gabinetes anteriores.
Em uma coletiva de imprensa realizada em 10 de novembro, Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, expressou "forte insatisfação e firme oposição", afirmando que as declarações de Takaichi "contradizem seriamente os compromissos políticos anteriores do governo japonês".
Lin acrescentou que a China apresentou uma "representação firme e um forte protesto" ao Japão.
Takaichi declarou ao comitê de orçamento da câmara baixa, em 10 de novembro, que havia feito suas observações com base no "pior cenário possível".
Ela acrescentou que não tinha intenção de retirar suas declarações, afirmando que elas não representavam nenhuma mudança em relação à posição de longa data do governo.
Ao mesmo tempo, Takaichi afirmou: "No futuro, evitarei fazer declarações definitivas aqui sobre casos hipotéticos específicos (relativos a uma situação de risco de vida)."

