O Japão exige tratamento justo dos Estados Unidos em relação às mais recentes medidas tarifárias.
TÓQUIO — O ministro do Comércio japonês, Ryosei Akazawa, pediu aos Estados Unidos que não tratem o país de forma menos favorável do que a prevista no acordo comercial do ano passado, antes da implementação da nova tarifa global de 10% proposta pelo presidente americano Donald Trump, anunciou o ministério nesta terça-feira.
Durante a conversa telefônica de segunda-feira, Akazawa e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, concordaram em implementar o acordo de forma rápida e sincera, com Tóquio se comprometendo a investir US$ 550 bilhões em troca de uma redução nas tarifas americanas sobre produtos japoneses.
O acordo alcançado em julho passado estabelece tarifas recíprocas sobre produtos japoneses em 15% e tarifas setoriais sobre automóveis na mesma taxa, em troca de um programa de investimento de US$ 550 bilhões de Tóquio.
Mas, após a decisão da Suprema Corte dos EUA na sexta-feira de derrubar as amplas tarifas de Trump, o presidente anunciou uma nova tarifa geral de 10% sob uma estrutura legal diferente, com entrada em vigor prevista para terça-feira, horário local.
Akazawa declarou em uma coletiva de imprensa em Tóquio, na terça-feira, que se as tarifas de 10% que substituem as tarifas recíprocas fossem aumentadas unilateralmente, o lado japonês "poderia ver cobranças tarifárias adicionais sobre certos produtos".
Quanto ao chá verde e à carne bovina destinados aos Estados Unidos, principais exportações japonesas para a maior economia do mundo, o Ministro da Agricultura, Norikazu Suzuki, afirmou que as tarifas devem permanecer em zero e 26,4%, respectivamente, independentemente da nova medida tarifária de 10% proposta por Trump.
Segundo o Departamento de Agricultura, Silvicultura e Pesca, Trump assinou um decreto presidencial em novembro passado isentando produtos agrícolas, incluindo carne bovina e chá verde, de tarifas recíprocas.
Trump, que se opôs à decisão da Suprema Corte, disse no sábado que aumentaria a nova taxa de 10% para 15%, sem especificar quando, e insinuou que aumentaria outros impostos de importação, alimentando preocupações entre os exportadores japoneses.
A conversa telefônica de 40 minutos entre Akazawa e Lutnick ocorreu depois que Trump anunciou, no início deste mês, a primeira rodada de projetos de investimento japoneses nos Estados Unidos, no valor de cerca de US$ 36 bilhões.
Akazawa, Ministro da Economia, Comércio e Indústria, que trabalhou para garantir o acordo comercial como principal negociador de tarifas do Japão, disse que Tóquio e Washington "prometeram mutuamente que (os investimentos) seriam implementados de forma sincera e rápida no futuro".
Na sexta-feira, a Suprema Corte derrubou as tarifas recíprocas de Trump que visavam quase todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos, bem como os impostos relacionados ao fentanil que ele havia aplicado a produtos da China, Canadá e México, com base em uma lei de emergência que data da década de 1970.

