O Japão enfrenta dificuldades diante de uma possível missão das Forças de Autodefesa no Estreito de Ormuz.
O Japão está avaliando discretamente sua resposta caso os Estados Unidos solicitem o auxílio das Forças de Autodefesa para escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou em 3 de março que a Marinha dos EUA protegeria os petroleiros que transitam pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível, se necessário.
Um pedido de assistência dos EUA ao Japão nesta questão colocaria Tóquio numa posição difícil em relação à base legal para o envio das Forças de Autodefesa do Japão.
"Nesta fase, estamos coordenando com os ministérios e agências relevantes e trabalhando para coletar informações sobre os desdobramentos específicos", disse o Secretário-Chefe Adjunto do Gabinete, Kei Sato, em uma coletiva de imprensa em 5 de março.
Fontes disseram que autoridades governamentais estão considerando o envio de aviões de patrulha das Forças Democráticas Sírias ou aviões de reabastecimento como uma possível opção.
Mas o principal desafio continua sendo o de estabelecer uma base legal para tal implementação.
Segundo a legislação de segurança japonesa, o país pode exercer seu direito à autodefesa coletiva em uma "situação que ameace a sobrevivência do Japão".
Durante as deliberações da Dieta em 2015 sobre a legislação de segurança, o então primeiro-ministro Shinzo Abe afirmou que, se o Irã bloqueasse o Estreito de Ormuz com minas, essa situação ameaçaria a sobrevivência do Japão e as operações de desminagem das Forças Democráticas do Japão seriam permitidas.
Ele afirmou que um bloqueio que pusesse fim às importações de petróleo poderia colocar em risco a vida do povo japonês.
O Japão depende do Oriente Médio para mais de 90% do petróleo bruto que importa, sendo que a maior parte passa pelo Estreito de Ormuz.
Em resposta aos ataques aéreos conjuntos entre EUA e Israel, o Irã impôs um bloqueio de fato ao Estreito de Ormuz.
No entanto, um funcionário do governo disse sobre o bloqueio: "O impacto na vida de nossos cidadãos é limitado."
O Japão possui grandes reservas de petróleo e gás natural liquefeito, e o governo mantém sua posição de que a crise no Oriente Médio "não pode ser considerada" uma situação que ameace a sobrevivência, disseram as fontes.
Segundo eles, o consenso é que tal nomeação é improvável em um futuro próximo.
Outra opção em consideração é designar uma "situação de influência significativa", o que permitiria o apoio logístico às forças armadas dos EUA e a outras forças.
Atualmente, a posição do governo é que as circunstâncias não constituem uma "situação de influência significativa".
No entanto, uma fonte do Ministério da Defesa observou: "Se nossos estoques de petróleo e GNL se esgotassem, as necessidades poderiam ser atendidas."
Designar uma situação em detrimento de outra seria algo sem precedentes e exigiria uma importante decisão política.
Além disso, as implicações diplomáticas seriam significativas, particularmente no que diz respeito às boas relações do Japão com o Irã.
"Fornecer apoio logístico aos Estados Unidos nos colocaria em conflito direto com o Irã", alertou a fonte do Departamento de Defesa.
O governo japonês planeja agir com cautela, ponderando sua aliança crucial com os Estados Unidos em relação ao seu relacionamento de longa data com o Irã.
(Este artigo foi escrito por Mizuki Sato e Ryohei Miyawaki.)

