Negociador no Japão pedirá corte de tarifas de carros rápidos em viagens aos EUA

O Japão registrou um superávit comercial de 57,3 bilhões de ienes em fevereiro, enquanto o impacto da crise iraniana se intensifica.

TÓQUIO – O Japão registrou um superávit comercial de 57,3 bilhões de ienes (US$ 361 milhões) em fevereiro, impulsionado pelo aumento das exportações de chips para outros países asiáticos, segundo dados do governo divulgados nesta quarta-feira. No entanto, o conflito com o Irã e as preocupações com interrupções no fornecimento de petróleo estão afetando as perspectivas.

As exportações subiram 4,2%, atingindo 9.570 trilhões de ienes, registrando o sexto mês consecutivo de crescimento, enquanto as importações aumentaram 10,2% em relação ao ano anterior, totalizando 9.510 trilhões de ienes, ambos valores recordes para o mês, segundo relatório preliminar do Ministério das Finanças.

Embora as importações japonesas de chips e outros componentes eletrônicos de outros países asiáticos também sejam robustas, os dados mostram que esses produtos, amplamente utilizados em produtos de alta tecnologia, estão se tornando uma parte cada vez mais ativa do comércio global do Japão, disseram analistas.

Os dados comerciais mais recentes não refletem os desdobramentos após o início dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, disse um funcionário do ministério, com analistas prevendo que o aumento dos preços do petróleo poderá representar um duro golpe para uma economia fortemente dependente da importação de combustíveis.

O impacto potencial das interrupções no fornecimento de combustíveis e derivados de petróleo na balança comercial será acompanhado de perto, e o governo japonês está empenhado em responder com todas as medidas possíveis, afirmou o funcionário.

Takeshi Minami, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Norinchukin, afirmou que o impacto do conflito iraniano na balança comercial deverá ser sentido a partir do final de março, uma vez que a queda nas importações de petróleo bruto devido ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz deverá afetar a produção e o comércio das empresas japonesas.

"O governo liberou seus estoques de petróleo bruto e decidiu conceder novos subsídios para a gasolina, mas é possível que futuros aumentos nos preços da energia possam dificultar a recuperação do consumo", disse ele.

Durante o mês em análise, as exportações japonesas para os Estados Unidos caíram 8,0%, para 1.750 trilhão de ienes, marcando o terceiro mês consecutivo de declínio, enquanto as remessas de veículos automotores diminuíram 16,6% em valor, pressionadas pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump.

Embora as taxas de importação de carros japoneses tenham sido reduzidas de 27,5% para 15% em setembro, como parte de um acordo comercial entre Tóquio e Washington, elas continuam seis vezes maiores do que as tarifas de 2,5% vigentes antes do retorno de Trump à Casa Branca.

O Japão manteve-se no vermelho com a China pelo 59º mês consecutivo, registrando um déficit comercial de 967,3 bilhões de ienes em fevereiro.

As exportações para a segunda maior economia do mundo caíram 10,9%, para 1.370 trilhão de ienes, enquanto as importações dispararam 35,4%, para 2.340 trilhões de ienes, atingindo um recorde para o mês.