Forças de Autodefesa do Japão disparam mísseis antinavio durante um exercício conjunto nas Filipinas.

O Japão suspende as restrições às exportações de armas, mas salvaguardas rigorosas são essenciais.

TÓQUIO – O governo japonês decidiu abolir as “cinco categorias” que restringiam as exportações de armas a fins não relacionados a combate, como “resgate” e “transporte”, suspendendo a proibição de exportação de armas letais e permitindo exportações até mesmo para países atualmente em conflito, quando houver “circunstâncias especiais de segurança”.

O governo afirma que essa decisão visa expandir os canais de venda para fortalecer a base industrial de defesa, aumentar a capacidade do Japão de manter as operações em emergências e reforçar a dissuasão nos países receptores.

O Japão sempre foi cauteloso em relação às exportações de armas, temendo – em consonância com o espírito do Artigo 9 da Constituição, que renuncia à resolução de disputas internacionais pela força – que as exportações de armas pudessem alimentar conflitos internacionais.

Essa preocupação aumentou à medida que o mundo testemunhou a invasão da Ucrânia pela Rússia e os ataques dos EUA contra o Irã.

Esses conflitos assumiram o caráter de guerras de desgaste prolongadas envolvendo mísseis e drones, levando a uma alta demanda por armamentos. Nos Estados Unidos, relatos também indicam que os estoques de mísseis foram esgotados após os ataques iranianos, o que pode atrasar a entrega de mísseis de cruzeiro Tomahawk ao Japão.

Em meio à guerra na Ucrânia, o Japão exportou mísseis terra-ar guiados Patriot para os Estados Unidos, que por sua vez forneciam mísseis à Ucrânia. Embora essa decisão tenha sido atribuída à escassez de estoques nos Estados Unidos, alguns apontaram que ela já configurava, na prática, um "desvio" de exportações para a Ucrânia via Estados Unidos.

A principal questão é se o Japão deveria exportar armas para os Estados Unidos simplesmente por ser um aliado, agora que Washington se envolveu em uma guerra por meio de seus ataques contra o Irã. Se o Japão exportasse armas, isso claramente teria o efeito de incentivar um conflito internacional.

Além dos Estados Unidos, os países com os quais o Japão firmou acordos para transferência de "equipamentos de defesa" incluem estados do Oriente Médio que estão sob ataque do Irã, bem como as Filipinas, que estão em conflito com a China por causa do Mar da China Meridional.

Se esses países se tornarem partes em conflitos, eventualmente lutarão com armas de fabricação japonesa. Fornecer armas a um beligerante é, da perspectiva do outro lado, um ato hostil, aumentando o risco de o Japão ser arrastado para a guerra.

Além disso, se o Japão fornecer armas a uma das partes, torna-se impossível para Tóquio atuar como um mediador imparcial para alcançar uma solução rápida.

A questão de o que realmente constitui "circunstâncias especiais de segurança" que ainda justificariam o fornecimento de armas exige uma análise rigorosa.

Caso um cenário envolvendo o Japão se transforme em uma guerra de mísseis por desgaste, a capacidade de manter a produção de mísseis seria crucial. Ao mesmo tempo, como demonstrado pelos ataques iranianos, existe também o risco de que a própria base de produção se torne um alvo.

Se o Japão deseja discutir sua capacidade de guerra, deve considerar não apenas como aumentar a produção de sua indústria de defesa, mas também como proteger essa capacidade de ataques inimigos. No entanto, tal debate não ocorreu. Sem isso, a discussão se assemelha mais à política industrial em tempos de paz do que à preparação para emergências.

O levantamento da proibição de exportação de armas também tem o efeito de incentivar o crescimento autossustentável da indústria de defesa, aumentando os pedidos de equipamentos militares para além das necessidades de defesa do Japão. Isso pode aumentar ainda mais a pressão sobre as exportações.

Se a indústria de defesa for vista como um motor de crescimento econômico, torna-se muito fácil cair numa mentalidade voltada apenas para o lucro. É precisamente por isso que salvaguardas rigorosas são essenciais.

Fundamentalmente, as exportações de armas significam que o Japão está envolvido, mesmo que indiretamente, nos conflitos de outros países.

Para determinar se isso realmente contribui para a segurança do Japão, o governo deve assumir a responsabilidade de explicar suas decisões ao público de forma concreta, caso a caso, em vez de em termos gerais.

A notificação prévia à Dieta, conforme exigido pelos partidos da oposição, deveria ser indispensável como garantia mínima.


Kyoji Yanagisawa. (Apenas para uso editorial) (Kyodo)

(Kyoji Yanagisawa, nascido em Tóquio em 1946, foi um burocrata do Ministério da Defesa que atuou como Secretário-Chefe Adjunto do Gabinete de 2004 a 2009.)