O Japão se abstém de apoiar abertamente os ataques americanos e israelenses contra o Irã.
TÓQUIO – O Japão se absteve de expressar apoio total ao lançamento, neste fim de semana, de ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, enquanto Tóquio continuava, no domingo, a coletar informações sobre a situação em evolução no Oriente Médio após o assassinato do líder supremo de longa data, o aiatolá Ali Khamenei.
A primeira-ministra Sanae Takaichi instruiu os ministérios e agências governamentais a analisarem o impacto potencial dos ataques no transporte marítimo e aéreo, bem como na economia. Ela também prometeu, na noite de sábado, garantir a segurança dos cidadãos japoneses na região.
Takaichi não expressou apoio nem crítica ao ataque coordenado contra o Irã, lançado no sábado pelos Estados Unidos, um aliado de longa data do Japão, e por Israel.
O Japão tradicionalmente mantém relações amistosas com o Irã e considera a estabilidade na região vital.
Garantir a passagem segura de navios petroleiros e de carga pelo Estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, também é importante para o Japão, um país com poucos recursos naturais.
O aumento dos preços do petróleo bruto pode reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) do Japão em até 0,65 ponto percentual, afirmou Takahide Kiuchi, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Nomura.
Partindo do pressuposto de que um bloqueio total do Estreito de Ormuz elevaria os preços futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate do nível atual de US$ 60 por barril para cerca de US$ 140, Kiuchi estimou que os preços no Japão aumentariam 1,14% no próximo ano, possivelmente mergulhando o país em recessão.
Durante uma conversa telefônica com outros membros do G7, o Ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, reiterou a posição do Japão de que apoia os esforços para resolver a questão do programa nuclear iraniano "por meio do diálogo", informou seu ministério.
Motegi reiterou que o Japão maximizará seus esforços diplomáticos junto à comunidade internacional em relação à situação no Irã, afirmando que o país "nunca deve ter permissão" para desenvolver armas nucleares.
A morte de Khamenei, de 86 anos, após mais de três décadas no poder, foi anunciada no sábado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, nas redes sociais, e posteriormente confirmada pela mídia estatal iraniana.
Este ataque ocorreu após uma intensificação da coordenação entre os Estados Unidos e Israel, que haviam solicitado uma ação rápida em meio a preocupações com o programa nuclear do Irã e a violenta repressão aos protestos antigovernamentais generalizados no país.
Um alto funcionário do Partido Liberal Democrático, no poder em Takaichi, também se absteve de criticar os ataques durante uma participação em um programa da emissora pública NHK no domingo. Seus comentários provocaram uma repreensão imediata de parlamentares da oposição presentes no mesmo programa, que afirmaram que tais ataques violavam o direito internacional.
"Não podemos simplesmente condená-lo, dada a postura do Irã em relação ao desenvolvimento nuclear", disse Shunichi Suzuki, secretário-geral do PLD e número dois do partido.
Ao falar sobre o impacto no Japão, ele disse que os ataques "poderiam ter um enorme impacto na vida diária das pessoas e na economia". O Japão é altamente dependente do Oriente Médio para o seu petróleo bruto.
Os cidadãos japoneses no Irã já haviam sido aconselhados a evacuar o país, e o Ministério das Relações Exteriores recomendou cautela para aqueles que vivem ou viajam para países do Oriente Médio e de outras regiões devido ao aumento das tensões geopolíticas.

