O Japão se compromete a promover o desarmamento nuclear, enquanto sobreviventes denunciam o fim do tratado EUA-Rússia.
TÓQUIO — O governo japonês afirmou nesta quinta-feira que trabalhará com Washington e instará as potências mundiais, incluindo a China, a se comprometerem com o controle de armas nucleares e o desarmamento após o término do mais recente tratado de armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia.
O fim do Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, conhecido como Novo START, marca a primeira vez em mais de cinco décadas que os Estados Unidos e a Rússia não possuem um arcabouço juridicamente vinculativo para controlar seus arsenais, aumentando o risco de uma nova corrida armamentista global e provocando indignação entre sobreviventes da bomba atômica e ativistas no Japão.
Afirmando que a situação do desarmamento internacional e do controle de armas é cada vez mais grave, o vice-secretário-chefe do Gabinete, Kei Sato, disse em uma coletiva de imprensa regular que o Japão considera importante "engajar-se firmemente" com as potências nucleares, como os Estados Unidos, a Rússia e a China, nessa questão.
Os comentários de Sato surgem num momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, apelou à China, que está a desenvolver rapidamente as suas capacidades nucleares, para que participe em futuras negociações sobre a redução de armamento, e após a proposta de Moscovo de prorrogar o tratado por um ano ter falhado.
"Pretendemos continuar trabalhando em estreita colaboração com os Estados Unidos, ao mesmo tempo que incentivamos outros países relevantes a participar", disse Sato, um alto porta-voz do governo.
Ele acrescentou que o Japão, o único país a ter sido atacado com armas nucleares, pretende ser um líder internacional em "esforços realistas e práticos" rumo a um mundo sem armas nucleares.
Esses desenvolvimentos ocorrem em um momento em que o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi, uma defensora ferrenha da segurança nacional, deve atualizar documentos importantes de defesa e segurança diante da crescente assertividade da China e das ameaças balísticas e nucleares da Coreia do Norte.
Também não descarta uma possível revisão dos princípios não nucleares do país de 1967, que proíbem a posse, produção ou introdução de armas nucleares em seu território, considerados um credo pacifista.
Sobreviventes da bomba atômica denunciaram o fim do tratado durante uma coletiva de imprensa online de emergência, que contou com a presença de diversos grupos, incluindo o principal grupo japonês de sobreviventes da bomba atômica, Nihon Hidankyo, vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2024 por seu ativismo.
Terumi Tanaka, um sobrevivente de 93 anos e co-presidente do grupo, expressou indignação pelo fato de as armas nucleares não serem consideradas um problema coletivo da humanidade, acrescentando que acredita que o mundo "pode estar caminhando para a destruição em uma guerra nuclear em um futuro não muito distante".
Ele pediu ao governo japonês que "faça tudo ao seu alcance para reduzir o número de armas nucleares no mundo", inclusive participando do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares.
Embora defenda um mundo sem armas nucleares, o Japão não aderiu ao tratado da ONU sobre a proibição total de armas nucleares, pois essa proibição entra em conflito com sua política de confiar na dissuasão nuclear dos EUA para se proteger contra possíveis ameaças.
O Japão defendeu a manutenção e o fortalecimento do regime do Tratado de Não Proliferação Nuclear, que inclui tanto os Estados nucleares quanto os não nucleares.

