No Japão, a educação sexual é utilizada para garantir a segurança das crianças em idade pré-escolar.

No Japão, a educação sexual é utilizada para garantir a segurança das crianças em idade pré-escolar.

OITA, Japão – Os esforços para ensinar crianças pequenas sobre sexualidade estão se tornando cada vez mais comuns no Japão, à medida que educadores e governos locais recorrem a livros animados e oficinas para ajudar as crianças a entenderem seus corpos e a se protegerem desde cedo.

Essa decisão reflete a crescente preocupação com o conteúdo sexual a que as crianças são expostas online e o número cada vez maior de casos relatados de violência sexual.

Autoridades e educadores afirmam que lições precoces sobre consciência corporal podem ajudar as crianças a se manifestarem quando algo está errado.

Em maio, no Musashi Kodomoen, uma creche e jardim de infância integrados em Kunisaki, na província de Oita, a parteira Yasuko Fujisada ministrou uma oficina para cerca de quarenta crianças de 4 a 6 anos de idade.

O tema do dia foi "partes íntimas". Os representantes da prefeitura explicaram aos pais: "Aprender sobre sexualidade não é algo sujo. Quando os adultos ensinam de forma positiva, criam um ambiente seguro onde as crianças se sentem à vontade para perguntar qualquer coisa."

Kunisaki promove uma educação sexual abrangente que inclui direitos humanos e igualdade de gênero.

Embora o programa fosse inicialmente voltado para alunos do ensino fundamental e médio, relatos de escolas de educação infantil locais – como "algumas crianças estão espiando nos banheiros" – levaram as autoridades a introduzir as aulas em uma idade mais precoce.

"A forma como aprendemos a interagir com os outros baseia-se nos alicerces construídos na infância", disse Fujisada.

Segundo ela, o objetivo é ajudar as crianças a aprenderem a respeitar seus próprios corpos e os dos outros, na esperança de que isso também as impeça de se tornarem vítimas ou perpetradoras de violência sexual.

Durante a sessão, Fujisada utilizou um livro ilustrado intitulado "Daiji Daiji Do-koda? (Onde estão suas partes íntimas?)" como ferramenta didática. O livro, escrito por Sakiko Enmi e ilustrado por Mizumaru Kawahara, explica claramente o conceito de partes íntimas.

Uma das páginas apresenta desenhos de uma câmera e um smartphone, acompanhados da mensagem: "Partes especiais e importantes do seu corpo... não tire fotos nem faça vídeos."

Desde sua publicação em 2021, a popularidade do livro cresceu rapidamente graças à recomendação entre os pais. Até setembro deste ano, mais de 460.000 exemplares haviam sido vendidos.

Um representante da editora Oizumi Shoten afirmou que o livro ressoou com o desejo dos pais de ajudar seus filhos a "valorizarem seus próprios corpos", o que contribuiu para o seu sucesso.

Na província de Saitama, a parteira Yuko Sakurai ministra mais de 150 palestras sobre educação sexual por ano, tanto dentro quanto fora da província.

Embora Sakurai ofereça aulas de educação sexual para alunos desde o ensino fundamental até a universidade, bem como para pais, ela afirmou: "Os pedidos de creches e jardins de infância aumentaram recentemente."

Ela atribui essa tendência, em parte, à crescente disponibilidade de conteúdo sexual online, que é facilmente acessível às crianças.

Entretanto, o abuso sexual de crianças em idade pré-escolar continua sendo uma grande preocupação. De acordo com a Agência Nacional de Polícia, o número de casos de estupro de crianças em idade pré-escolar relatados chegou a 33 no ano passado, o maior número em 15 anos.

“Crianças sem conhecimento são alvos mais fáceis”, destacou Sakurai. Ela acrescentou que a educação sexual precoce torna os temas relacionados à sexualidade menos tabu e incentiva as crianças a compartilharem abertamente suas dúvidas e preocupações. “Quanto mais cedo aprenderem, melhor”, afirmou.

À medida que a conscientização sobre esses riscos aumenta, as autoridades locais esperam que a educação pré-escolar possa ajudar as crianças a entender limites, reconhecer comportamentos inadequados e desenvolver uma autoestima saudável.