O Japão desenvolverá minas de terras raras na África para acabar com sua dependência da China.
O Japão está avançando com seus planos de desenvolver minas de terras raras na África, enquanto a China está reforçando seus controles de exportação desses minerais críticos, disseram fontes governamentais.
A Organização Japonesa para a Segurança de Metais e Energia (JOGMEC) confirmou a existência de reservas suficientes de disprósio e térbio na Namíbia, no sul da África, em um levantamento realizado desde aproximadamente 2020.
Esses dois elementos, que mantêm suas propriedades magnéticas mesmo em altas temperaturas, são considerados particularmente raros, até mesmo entre as terras raras.
São utilizados, entre outras coisas, em materiais destinados a motores de veículos elétricos de alto desempenho.
Embora a China domine a produção global, o governo japonês pretende eliminar sua dependência desse país até o final de 2028.
Caso os projetos na África sejam implementados, o Japão deverá garantir um fornecimento suficiente para atender à demanda interna, combinado com a produção de empresas australianas e francesas nas quais a JOGMEC e outras entidades investiram, indicaram as fontes.
O disprósio e o térbio constam da lista de controle de exportação da China para produtos de dupla utilização, com aplicações tanto militares quanto civis.
Acredita-se que esses produtos estejam entre os sujeitos a restrições de exportação impostas pela China ao Japão em protesto contra declarações da Dieta da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre uma eventualidade envolvendo Taiwan.
O Japão planeja desenvolver diversas minas na África. Um processo de licitação já está em andamento para selecionar as empresas que irão realizar o desenvolvimento das minas.
As fontes indicaram que também está sendo considerada a construção de instalações de refino para remover impurezas após a extração do minério.
No entanto, os processos de extração e refino de terras raras geram substâncias perigosas, incluindo resíduos radioativos.
Ainda existem muitos desafios a serem superados para garantir um fornecimento estável, como o custo das medidas de proteção ambiental.
Os elementos de terras raras são essenciais para uma ampla gama de indústrias, desde a automotiva até a de eletrônicos de consumo. O governo busca há muito tempo diversificar suas fontes de suprimento.

