O metrô de Osaka exige o reembolso integral dos ônibus elétricos utilizados durante a exposição.
OSAKA — Uma frota de ônibus elétricos usada para transportar os participantes da Expo Kansai de Osaka agora funciona mais como uma aberração visual do que como um emblema em um "cemitério" estimado em bilhões de ienes.
O plano da Osaka Metro Co. de redirecionar os investimentos em veículos elétricos (VEs) para ônibus regulares da prefeitura após a Expo Mundial de 2025 foi abandonado em março, na sequência de uma série de acidentes relatados.
O Metrô de Osaka anunciou em 14 de abril que está buscando recuperar o valor total da compra dos ônibus adquiridos da EV Motors Japan Co. (EVMJ) com a ajuda de subsídios.
O vendedor, cuja sede fica em Kita-Kyushu, está atualmente buscando iniciar um processo de recuperação judicial.
FALTA DE CONTROLE DE QUALIDADE
Os veículos ocupam atualmente um canto de uma estação do metrô de Osaka, no distrito de Joto, descrito nas redes sociais como um "cemitério de ônibus elétricos".
Mais de 100 pessoas estavam cuidadosamente estacionadas ali em meados de abril, com as palavras "Ônibus Elétrico" visíveis nas laterais.
A Osaka Metro adquiriu um total de 190 ônibus elétricos da EVMJ entre o ano fiscal de 2022 e o ano fiscal de 2024.
A empresa ferroviária disponibilizou 115 grandes ônibus elétricos para conectar o recinto da Expo Mundial aos estacionamentos e outros pontos de parada durante todo o período do evento. Enquanto 35 unidades menores transportavam visitantes dentro do recinto da Expo, 40 modelos ultracompactos operavam serviços sob demanda pela cidade.
Sinais de alerta surgiram quando duas colisões foram relatadas perto do local da exposição, uma delas envolvendo um ônibus que identificou erroneamente sua localização enquanto estava em modo de direção autônoma. Isso levou à suspensão temporária das operações de ônibus elétricos.
Em outra parte da cidade, um ônibus elétrico sob demanda entrou acidentalmente no canteiro central enquanto estava fora de serviço. O motorista alegou que "o volante não estava funcionando corretamente".
Após uma série de defeitos detectados por diversos compradores e operadores, o Ministério dos Transportes incumbiu a EVMJ, em setembro, de realizar uma investigação interna completa.
A EVMJ informou que defeitos foram detectados em 113, ou seja, mais de 30%, das 317 unidades entregues no Japão. Entre elas, estavam componentes de freio danificados.
Em seguida, o ministério realizou uma inspeção no local, em conformidade com a Lei de Veículos de Transporte Rodoviário. Isso levou a EVMJ a emitir um aviso de recall para 85 veículos em novembro.
Diante desses acontecimentos, o metrô de Osaka anunciou no final de março que deixaria de operar os 190 ônibus elétricos. A empresa citou, em particular, a "dificuldade de garantir a segurança", encerrando assim um projeto ambicioso concebido como um "legado da Expo".
SUBSÍDIOS MACIÇOS INJECIONADOS
Na aquisição de veículos ecológicos, o metrô de Osaka recebeu subsídios substanciais não apenas do governo central, mas também da prefeitura e da cidade.
Ela se recusou a divulgar o preço total da compra ou o valor total do subsídio, mas a cidade estima que os fundos do estado, da prefeitura e do município totalizem pelo menos 4 bilhões de ienes (US$ 25,1 milhões).
Os líderes do Metrô de Osaka, incluindo o presidente Hideaki Kawai, participaram de uma reunião em 14 de abril com a Assembleia Municipal de Osaka para explicar o contexto que levou à mais recente decisão da empresa.
A EVMJ foi fundada em 2019 e terceirizou a fabricação de ônibus para montadoras chinesas. Ao explicar por que a EVMJ foi escolhida como fornecedora, a Prefeitura de Osaka citou a tecnologia de direção autônoma e o sistema de produção em massa da empresa, observando que outras empresas japonesas não atendiam a esses padrões.
A Osaka Metro também teve que responder a perguntas de membros da assembleia municipal sobre os procedimentos e motivos da seleção. A empresa observou que um diretor específico foi o único responsável pela escolha da EVMJ.
A Osaka Metro informou que a fornecedora automotiva foi escolhida, entre outros motivos, por ter prometido instalar uma fábrica de manutenção na província de Osaka. Segundo relatos, a fábrica planejada nunca foi construída.
Da mesma forma, o Metrô de Osaka anunciou que estava exigindo o reembolso integral da EVMJ pela compra. Acrescentou a possibilidade de ação judicial caso a EVMJ não cumprisse o pedido e deixou claro que também exigia a retirada dos ônibus elétricos da frota da empresa.
DÍVIDAS SUPERIORES A 5 BILHÕES
No mesmo dia, a EVMJ anunciou que havia entrado com um pedido de recuperação judicial no Tribunal Distrital de Tóquio, com base na Lei de Recuperação Judicial. Sua dívida total chega a 5,7 bilhões de ienes.
"Finalmente tomamos a decisão de apresentar uma candidatura para tentar reativar o nosso negócio com o apoio dos nossos patrocinadores", disse um representante da EVMJ.
(Este artigo foi escrito por Toshinari Takahashi e Hayato Murai.)

