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O Ministério do Trabalho está a pôr fim às regras gerais sobre o regime de horas extraordinárias de 45 horas.

O Departamento do Trabalho divulgou, em 19 de agosto, novas diretrizes com o objetivo de acabar com a pressão sobre as empresas para que limitem as horas extras mensais a 45 horas, o que facilitará aos empregadores o uso das opções de horas extras permitidas pela legislação vigente.

No entanto, essas mudanças levantam preocupações sobre o retrocesso das reformas no estilo de trabalho no Japão, que visam melhorar as condições de trabalho.

A partir de setembro, os órgãos de fiscalização do trabalho deixarão de exigir uniformemente que as empresas mantenham as horas extras mensais abaixo de 45 horas, mesmo quando os acordos sociais permitirem jornadas mais longas.

Em vez disso, os inspetores se concentrarão em verificar se os empregadores estão implementando medidas para proteger a saúde dos trabalhadores.

A política não altera os limites legais do Japão para horas extras, mas revisa a forma como os inspetores do trabalho aplicam as diretrizes de acordo com as normas existentes.

O problema decorre da legislação de reforma trabalhista japonesa que entrou em vigor em abril de 2019, impondo, pela primeira vez, limites legalmente vinculativos para horas extras. Antes disso, as horas extras não tinham limite em muitos locais de trabalho.

Segundo a Lei de Normas de Emprego, a jornada de trabalho é geralmente limitada a oito horas por dia e 40 horas por semana.

Empregadores e trabalhadores podem celebrar um acordo sindical-empregador conhecido como acordo do Artigo 36, que autoriza horas extras de até 45 horas por mês.

Caso o contrato contenha uma cláusula específica, os funcionários podem trabalhar horas extras até o limite legal de 100 horas por mês, incluindo trabalho em feriados.

Mesmo quando as empresas possuem cláusulas especiais desse tipo, os órgãos de fiscalização do trabalho continuam a instar a eliminação das horas extras que excedam 45 horas por mês.

O Ministério do Trabalho afirmou que essa prática reflete o receio de que a ligação entre o excesso de trabalho e os problemas de saúde possa se intensificar quando as horas extras ultrapassarem 45 horas.

Segundo o ministério, cerca de metade das empresas celebrou acordos ao abrigo do artigo 36.º. Destas, cerca de 70% incluíram cláusulas especiais que permitem horas extraordinárias inferiores a 100 horas por mês, incluindo trabalho em feriados.

Essa mudança ocorre após meses de pressão por parte de grupos empresariais, que alegavam que os inspetores do trabalho estavam, na prática, desencorajando a realização de horas extras permitidas por lei.

Hitoshi Ito, da Câmara de Comércio e Indústria do Japão, afirmou que essas diretrizes estavam "sufocando a atividade empresarial".

Em abril, a sede da estratégia de crescimento do Japão, ligada ao Partido Liberal Democrático, instou o governo a rever as diretrizes, argumentando que a escassez de mão de obra estava dificultando o funcionamento das empresas de acordo com as práticas vigentes.

Uma linguagem semelhante foi posteriormente incorporada à estratégia de crescimento do governo, aprovada pelo Gabinete em julho.

O foco é na saúde.

As empresas com cláusulas específicas em seus contratos já são obrigadas a tomar medidas para proteger a saúde de seus funcionários. Elas podem escolher entre nove medidas principais, incluindo consultas médicas e intervalos mínimos garantidos entre os turnos de trabalho.

No entanto, um alto funcionário do Ministério do Trabalho afirmou que o ministério não havia verificado se as empresas estavam de fato implementando essas medidas.

De acordo com a nova política, os inspetores se concentrarão mais em confirmar se as medidas de proteção à saúde estão sendo aplicadas.

Caso essas medidas se mostrem insuficientes, os inspetores emitirão diretrizes exigindo melhorias.

O ministério afirmou que a nova abordagem ajudaria a prevenir problemas de saúde causados ​​pelo excesso de trabalho, concentrando as inspeções no cumprimento das medidas de proteção ao trabalhador.

CRÍTICOS TEMEM A RENDA

Defensores dos direitos trabalhistas argumentam que essa mudança pode enfraquecer os incentivos para reduzir as horas extras e prejudicar os esforços para reformar o modelo de trabalho no Japão.

Ryo Sasaki, advogado especializado em direito trabalhista, afirmou: "Em vez de reduzir a jornada de trabalho, isso parece indicar uma tolerância a longas jornadas. É claramente um retrocesso em relação às reformas no estilo de trabalho que o governo vem implementando."

(Este artigo foi escrito por Keiko Nannichi e Miho Tanaka.)