O ministro das Relações Exteriores do Talibã busca normalizar as relações com os Estados Unidos.
CABUL – O ministro interino das Relações Exteriores do Talibã, Amir Khan Muttaqi, afirmou em entrevista exclusiva à Kyodo News que seu governo interino está "buscando normalizar as relações" com os Estados Unidos, cinco anos após a retirada completa das tropas americanas do Afeganistão.
Na entrevista de quarta-feira, Muttaqi instou Washington a abandonar o confronto, afirmando que os dois lados podem dialogar "com base no respeito mútuo e em interesses comuns". Sucessivas administrações americanas têm alertado que o Afeganistão pode se tornar novamente um centro de terrorismo.
Apenas a Rússia reconheceu o governo interino, e as críticas internacionais continuam fortes em relação a políticas como a proibição de meninas prosseguirem os estudos além do ensino fundamental.
Muttaqi afirmou que a obtenção do reconhecimento formal seria "uma questão posterior" e enfatizou a importância de estabelecer primeiro conexões práticas. Ele não especificou quando as meninas seriam autorizadas a frequentar a escola novamente após o ensino fundamental.
Ele afirmou que o Talibã, que retornou ao poder em agosto de 2021, trouxe segurança e estabilidade ao Afeganistão nos últimos cinco anos e argumentou que os Estados Unidos deveriam reavaliar sua posição à luz da realidade do regime talibã.
Em relação ao Japão, Muttaqi descreveu as relações bilaterais como "históricas e estreitas", mas afirmou que a embaixada afegã em Tóquio suspendeu suas atividades em janeiro devido a uma disputa sobre a admissão de novos diplomatas. Ele pediu que fossem tomadas medidas para retomar os serviços da embaixada, ao mesmo tempo em que promoveu o Afeganistão como destino de investimentos.
Ele afirmou que o acordo de cooperação técnico-militar assinado com a Rússia em maio visa reparar e manter armas de fabricação russa e não constitui "cooperação contra qualquer país específico". Ele se recusou a comentar sobre a guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Em relação ao Paquistão, o ministro afirmou ser favorável ao diálogo com o país vizinho para resolver as disputas.

