O Museu Memorial da Paz de Hiroshima registra um número recorde de visitantes anualmente.
HIROSHIMA — Enquanto guerras e turbulências políticas assolam o mundo, o Museu Memorial da Paz de Hiroshima oferece um local de calma e reflexão para o crescente número de visitantes, incluindo turistas estrangeiros, no Japão.
Autoridades municipais indicaram que o museu recebeu um número recorde de visitantes durante o ano fiscal de 2025.
A cidade de Hiroshima anunciou em 3 de abril que o centro de exposições localizado no distrito de Naka atraiu 2.580.926 pessoas, marcando o terceiro ano consecutivo de recorde de público.
O número atual de visitantes é 1,7 vezes maior do que há 10 anos, quando apenas 1,5 milhão de pessoas visitaram o museu temático sobre o bombardeio atômico americano de Hiroshima em 1945.
FLUXO REGULAR DE VISITANTES
Em uma coletiva de imprensa realizada em 3 de abril, o prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui, atribuiu o aumento no número de visitantes do museu à "crescente preocupação com as armas nucleares associada à invasão da Ucrânia pela Rússia e à situação atual no Oriente Médio".
"Cada vez mais turistas estrangeiros estão chegando aqui devido à forte desvalorização do iene", disse ele.
Estatísticas do governo municipal mostram que 945.618 visitantes não japoneses passaram pelas portas do museu durante o ano fiscal de 2025, representando 36,6% do público total.
Este número, 2,8 vezes superior ao de há 10 anos, constitui também um novo recorde pelo terceiro ano consecutivo.
O Museu Memorial da Paz de Hiroshima foi inaugurado em 1955. O número de visitantes ultrapassou os 2 milhões pela primeira vez no ano fiscal de 2024, o ano seguinte à Cúpula do G7 em Hiroshima. Desde então, o número anual de visitantes tem aumentado constantemente.
Yoshifumi Ishida, diretor do museu, vê o aumento no número de visitantes como um ponto positivo, enfatizando que os visitantes de seu museu podem "ver em primeira mão a realidade do bombardeio atômico por meio das exposições e descobrir as trágicas consequências que resultariam de um novo uso de armas nucleares".
Entretanto, a administração do museu cita a superlotação crônica como um desafio particularmente urgente.
O museu realizou um levantamento por questionário junto a escolas e academias cujos alunos visitaram a instituição em viagens educativas.
De acordo com os resultados, muitos entrevistados sentiram que "a superlotação torna cada vez mais difícil para as crianças verem e estudarem no seu próprio ritmo".
Dadas as circunstâncias atuais, a cidade de Hiroshima planeja instalar, na primavera de 2028, um espaço de exposições especializado em educação para a paz, voltado principalmente para o público jovem.
O município também apresentou, em 3 de abril, seu plano de criar um comitê de especialistas dedicado a discutir medidas para combater o congestionamento. Um relatório preliminar, que descreve possíveis medidas, deverá ser concluído até o final deste ano.
HISTÓRIA DO ROSTO QUADRADO
Questionados sobre o que motiva pessoas não japonesas a visitarem o Museu Memorial da Paz de Hiroshima, muitos visitantes foram questionados sobre seus motivos.
Aashay Sonawane, de 21 anos, estudante de medicina de Mumbai, na Índia, disse durante sua viagem pelo Japão que havia aprendido sobre os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki na escola.
"Fiquei curioso para visitar este lugar e descobrir que as pessoas sofreram com as tensões políticas e as decisões tomadas por importantes líderes políticos, que resultaram na destruição de pessoas e propriedades", disse Sonawane.
Após visitar o museu, Sonawane destacou que ele "retratava com muita precisão o sofrimento que as pessoas tiveram que suportar durante o período da guerra".
Com expressão séria, Sonawane observou: "Os líderes (em todo o mundo) não levam em consideração o que acontecerá com o país e sua economia. Eles só precisam exercer influência sobre outro país para exercer sua dominação, o que não está certo."
Taylor Braastad, de 32 anos, funcionária de uma creche em Illinois, chegou a Hiroshima como parte de um cruzeiro turístico. Durante sua estadia de um dia, o agente de viagens recomendou que o grupo visitasse o Museu Memorial da Paz de Hiroshima.
“Vemos os pertences das crianças (vítimas) com quem elas estudavam e, então, descobrimos que elas nunca voltaram para casa naquele dia”, disse Braastad. “Foi muito comovente.”
Mary Shaddid, uma australiana desempregada de 59 anos, também chegou a Hiroshima em um navio de cruzeiro. Ela escolheu o Museu Memorial da Paz como um de seus destinos porque seu marido o havia visitado 40 anos antes e recomendou que ela também o visitasse.
"Acho que isso nos faz refletir sobre o uso desse tipo de armamento, e isso provavelmente é muito importante agora, porque o mundo pode estar em guerra novamente", disse Shaddid.
Ao notar que a instalação é descrita na internet como "o lugar mais famoso de Hiroshima", Cho Seok-min, de 40 anos, funcionário de uma empresa de Seul, também decidiu visitar o Museu da Paz.
Cho explicou que os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki são ensinados juntamente com o domínio colonial japonês na península coreana nas escolas sul-coreanas. Por essa razão, Cho estava "obviamente ciente" da tragédia de Hiroshima.
No entanto, Cho desconhecia que muitos civis, incluindo aqueles da Península Coreana, haviam sido mortos.
“Fiquei realmente abalada e pude ouvir meu coração doendo”, recordou Cho após visitar o museu. “Massacrar civis dessa maneira é sempre errado, mesmo que o Japão tenha tido suas falhas, como o ataque a Pearl Harbor durante a Segunda Guerra Mundial.”
No Museu da Paz, é comum ver grupos de turistas estrangeiros sendo guiados por pessoas que seguram pequenas bandeiras nas mãos.
Tseng Hsing-chieh, de 52 anos, um guia turístico taiwanês, estava conduzindo um grupo de cinco turistas ao museu quando chegou ao local pela terceira vez.
“Incentivamos os viajantes a virem aqui para compreenderem o quão horrível pode ser uma guerra envolvendo armas nucleares, visto que seus interesses individuais variam de pessoa para pessoa”, disse Tseng. “Esta instalação oferece um espaço com exposições bem elaboradas para que os visitantes possam refletir sobre a importância da paz, para além das diferenças nacionais e regionais.”
(Este artigo foi escrito por Takahiro Kinomura, Tadao Onaga e Hajimu Takeda.)

