O partido governista do Japão foi criticado por chantagear um membro das Forças de Autodefesa em uma convenção.
TÓQUIO — O Partido Liberal Democrático, no poder, foi criticado na terça-feira pela oposição por convidar um membro das Forças de Autodefesa para cantar o hino nacional em seu recente congresso anual, o que pode violar os limites legais às atividades políticas de seus membros ativos.
A sargento Mai Tsugumi, soprano da Banda Central das Forças Terrestres de Autodefesa, cantou fardada no evento realizado em Tóquio no domingo. A Lei das Forças de Autodefesa restringe as atividades políticas de seus membros, exceto o direito ao voto.
Junya Ogawa, líder do maior partido da oposição, a Aliança Reformista Centrista, disse a repórteres na terça-feira que o caso era "no mínimo inadequado e possivelmente uma violação da lei".
Yuichiro Tamaki, líder do Partido Democrático Popular, da oposição, também expressou críticas, afirmando em uma coletiva de imprensa que o PLD "deveria ter se abstido de qualquer comportamento que pudesse levantar dúvidas sobre a neutralidade política das Forças de Autodefesa".
A primeira-ministra Sanae Takaichi declarou que Tsugumi cantou o hino nacional a título pessoal, a pedido de um conhecido de longa data do setor privado.
“Cantar o hino nacional não é, em si, um ato político, e entendemos que este assunto não constitui uma violação da lei”, disse Takaichi a repórteres em seu gabinete. A primeira-ministra revelou que não sabia de antemão que um membro das Forças de Autodefesa estaria presente.
No Japão, cantar o hino nacional "Kimigayo" é politicamente delicado e controverso devido à sua associação com o militarismo do passado do país. O hino nacional inclui versos que expressam o desejo pelo reinado eterno do imperador.
Em relação à sua presença em uniforme, o Ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, disse aos repórteres que os membros têm a "obrigação" de usar o uniforme em todos os momentos e que "não há problema" em fazê-lo em um ambiente privado.
Ele acrescentou que não havia sido informado da presença dela antes do evento e prometeu "melhorar nosso sistema de relatórios".
O secretário-geral executivo interino do PLD, Koichi Hagiuda, disse que a participação de seu convidado foi sugerida por uma empresa envolvida na organização de aparições de convidados no evento. O PLD pediu à empresa que confirmasse se haveria algum problema decorrente de sua escolha, disse ele, acrescentando que o Ministério da Defesa também informou ao partido que não havia problemas.
Masayoshi Arai, chefe do Estado-Maior das Forças Terrestres de Autodefesa do Japão (GSDF), declarou em coletiva de imprensa que foi informado de que nenhuma lei havia sido violada. "Não considero isso inapropriado", afirmou.
Reconhecendo a reação que sua presença havia provocado, ele afirmou que "forneceria orientações cuidadosas para incentivar cada membro a estar ciente de suas responsabilidades".
Segundo o site do grupo, Tsugumi ingressou nas Forças de Autodefesa do Estado Islâmico (GSDF) em 2014, sendo a primeira pessoa recrutada como vocalista.

