O primeiro-ministro japonês expressa seu apoio aos esforços de Trump para trazer "paz" ao mundo.
WASHINGTON — A primeira-ministra Sanae Takaichi disse ao presidente dos EUA, Donald Trump, na quinta-feira, que o Japão estava pronto para ajudá-lo em seus esforços para trazer "paz e prosperidade" ao mundo. Os dois líderes concordaram em manter uma comunicação próxima para garantir que os navios possam transitar com segurança pelo Estreito de Ormuz, à medida que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã se intensifica.
Após o encontro em Washington, os dois governos apresentaram três novos projetos comerciais no valor total de US$ 73 bilhões, como parte do compromisso de US$ 550 bilhões assumido por Tóquio no ano passado em troca do alívio tarifário dos EUA, bem como outros três acordos que abrangem minerais essenciais para o fortalecimento da segurança econômica.
Após seu encontro com Trump na Casa Branca, Takaichi declarou à imprensa que ambos também reafirmaram a colaboração entre o Japão e os Estados Unidos para aumentar a produção de energia americana, e propôs um projeto conjunto de reserva de petróleo para atenuar os problemas de abastecimento causados pelo conflito.
Em relação às expectativas de Trump de que o Japão e outros países enviassem navios de guerra para o estreito, atualmente em grande parte bloqueado pelo Irã, Takaichi afirmou ter explicado ao líder americano "em detalhes o que o Japão pode e não pode fazer" do ponto de vista legal, de acordo com a Constituição do país, que repudia a guerra.
"Conseguimos confirmar muitas formas concretas de cooperação que irão aprimorar ainda mais a qualidade de nossa aliança em uma ampla variedade de áreas", disse Takaichi, acrescentando que ela e Trump pretendem elevar conjuntamente as relações bilaterais a "um nível superior".
Os projetos comerciais nipo-americanos recentemente anunciados incluem a construção de pequenos reatores nucleares modulares no Tennessee e no Alabama, avaliados em US$ 40 bilhões.
Durante a parte da entrevista aberta à imprensa, Takaichi elogiou os esforços de "paz" de Trump, dizendo estar pronta para ajudar, buscando o apoio de outros países. "Donald é a única pessoa capaz de trazer paz e prosperidade ao mundo", afirmou.
O primeiro-ministro também afirmou que a possibilidade de o Irã desenvolver armas nucleares é inaceitável. Trump já havia feito alusão ao programa nuclear iraniano para justificar a decisão dos EUA de lançar sua mais recente campanha militar contra o país.
Diante de uma China cada vez mais assertiva, Takaichi também lembrou Trump de que o ambiente de segurança permanece difícil na região do Indo-Pacífico, num momento em que há relatos de movimentação de alguns recursos militares dos EUA da região para o Oriente Médio.
Trump, por sua vez, disse acreditar que o Japão estava "assumindo o controle" nos últimos dias na guerra com o Irã, "ao contrário da OTAN".
O líder americano tornou pública sua insatisfação com os aliados de Washington, incluindo Tóquio e membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte, por sua relutância em intervir para garantir a segurança no Estreito de Ormuz, uma via navegável vital para o transporte global de petróleo, atualmente em grande parte bloqueada pelo Irã.
Observando que mais de 90% das importações de petróleo bruto do Japão normalmente transitam pelo estreito, Trump disse: "Esse é um dos principais motivos" para o Japão "intensificar seus esforços".
Trump também elogiou a compra, pelo Japão, de "muitos" equipamentos militares americanos. Ele ainda enfatizou que tinha um "ótimo relacionamento" com Takaichi, descrevendo-a como "uma pessoa muito especial" que faz um "trabalho fantástico".
Os principais objetivos de Takaichi durante sua primeira viagem aos Estados Unidos desde que assumiu o cargo em outubro foram reforçar a confiança pessoal em seu relacionamento com Trump e reafirmar o compromisso dos Estados Unidos com a segurança na região do Indo-Pacífico, à medida que a influência da China cresce.
O encontro ocorreu em meio a crescentes temores japoneses de que o foco político e militar dos EUA possa se deslocar do Indo-Pacífico para o Oriente Médio caso a guerra entre EUA e Israel contra o Irã continue, um desenvolvimento que beneficiaria a China.
Dentro da comunidade internacional, a operação militar americana no Irã, iniciada no final do mês passado, é vista com amplo ceticismo.
Segundo relatos, as forças armadas dos EUA começaram a transferir o navio de assalto anfíbio Tripoli e mais de 2.000 fuzileiros navais de suas bases no sudoeste e sul do Japão para o Oriente Médio.
Takaichi teve um bom começo no estabelecimento de laços pessoais com Trump quando se encontraram pessoalmente pela primeira vez em outubro, em Tóquio, pouco depois de ela se tornar a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão.
Ela é conhecida por suas posições firmes em relação à diplomacia e à segurança, semelhantes às do falecido primeiro-ministro Shinzo Abe, que forjou laços estreitos com Trump durante seu primeiro mandato presidencial de quatro anos, a partir de 2017.
Desde o início do conflito no Oriente Médio, Tóquio tem sido forçada a encontrar um delicado equilíbrio entre manter sua forte aliança com Washington e suas relações amistosas com Teerã.
O governo Takaichi se absteve de realizar uma avaliação jurídica das operações militares dos EUA e de Israel contra o Irã, que foram criticadas por alguns países e organizações como ataques preventivos que violam o direito internacional.
Entretanto, o Japão condenou o Irã por seus ataques, realizados em resposta aos ataques conjuntos EUA-Israel, contra outros países do Oriente Médio, que resultaram em vítimas civis e danos à infraestrutura petrolífera e outros recursos.
Antes de anunciar nas redes sociais, na terça-feira, que seu apoio naval não era mais necessário, expressando seu descontentamento, Trump pressionou países como Japão, Coreia do Sul e membros da OTAN a enviarem navios de guerra ao Estreito de Ormuz para garantir a segurança da navegação.
Na sexta-feira, Takaichi visitará o Cemitério Nacional de Arlington, na Virgínia, que homenageia os mortos de guerra não identificados. Ela retornará ao Japão no sábado, após concluir sua visita de três dias a Washington.

