O primeiro-ministro japonês promete combater a desinformação estrangeira com uma agência de inteligência planejada.
TÓQUIO — A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou nesta quinta-feira que o "comitê nacional de inteligência" proposto por seu governo lidará com operações de desinformação no exterior, enquanto as deliberações parlamentares sobre um projeto de lei para criar o novo órgão tiveram início.
O projeto de lei faz parte dos esforços para fortalecer a coleta de informações relacionadas à segurança e à espionagem estrangeira e para melhor utilizá-las na formulação de políticas. No entanto, isso gerou preocupações entre os partidos de oposição de que a vigilância excessiva possa infringir a liberdade de expressão.
O governo, que apresentou o projeto de lei no mês passado, juntamente com o bloco governista do Partido Liberal Democrático de Takaichi e seu parceiro minoritário, o Partido da Inovação do Japão, pretendem uma aprovação rápida do projeto para lançar o comitê já no verão.
Durante uma sessão da Câmara dos Representantes, Takaichi afirmou que era "essencial" fortalecer as funções de inteligência do Japão "a fim de prevenir uma crise e garantir a segurança dos cidadãos e o interesse nacional".
"Durante as eleições, que são a base da democracia, as operações de influência realizadas por atores estrangeiros, como a disseminação de desinformação, podem representar uma ameaça à segurança nacional", disse ela, acrescentando que tais operações seriam uma prioridade para a comissão.
O projeto de lei estipula que o secretariado do comitê irá "coordenar globalmente" as informações coletadas pela Agência Nacional de Polícia, pelo Ministério das Relações Exteriores, pelo Ministério da Defesa e por outras organizações, com o poder de solicitar que compartilhem informações.
Yuichi Goto, membro do parlamento pela Aliança Reformista, partido centrista e principal da oposição, manifestou preocupação com a possibilidade de a secretaria da comissão coletar informações pessoais dos cidadãos por meio da polícia. Takaichi rejeitou essas preocupações, afirmando que o projeto de lei não concederia às novas autoridades o poder de coletar tais informações.
Mikihiko Hashimoto, membro da Câmara Baixa do Partido Democrático Popular, principal partido da oposição, defendeu um "quadro de controle democrático", com uma função de controle exercida pela Dieta, para a agência de inteligência.
Presidido pelo Primeiro-Ministro, o comitê envolveria outros nove membros do Gabinete, incluindo o Secretário-Chefe do Gabinete, o Ministro da Justiça, o Ministro das Relações Exteriores e o Ministro das Finanças.
Takaichi, que assumiu o cargo em outubro e é conhecida por sua postura política conservadora e visões rigorosas em relação à segurança, prometeu fortalecer as capacidades de inteligência do Japão. Ela também está ansiosa para promulgar legislação antiespionagem para lidar com as crescentes ameaças.

