O primeiro-ministro japonês apoia a liberação conjunta de petróleo pela AIE (Agência Internacional de Energia) enquanto a guerra no Irã continua.

O primeiro-ministro japonês apoia a liberação conjunta de petróleo pela AIE (Agência Internacional de Energia) enquanto a guerra no Irã continua.

TÓQUIO – A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, expressou na quarta-feira apoio a uma possível liberação conjunta adicional de reservas de petróleo pela Agência Internacional de Energia para lidar com as perturbações nos mercados de energia resultantes do conflito entre os EUA, Israel e o Irã.

Durante a reunião em Tóquio, Takaichi pediu ao Diretor Executivo da AIE, Fatih Birol, que "preparasse, se possível, uma nova liberação coordenada" das reservas de petróleo pelos 32 países membros da organização sediada em Paris, "caso a situação persista".

Um fornecimento estável de energia é vital para o Japão, que obtém quase todo o seu petróleo bruto do exterior e depende do Oriente Médio para mais de 90% de suas importações de petróleo bruto.

Desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel no final do mês passado, o Irã bloqueou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma via navegável global vital por onde passa cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo, alimentando preocupações com o abastecimento e provocando uma alta nos preços do petróleo bruto.

No início deste mês, os países membros da AIE (Agência Internacional de Energia) começaram a liberar reservas estratégicas de petróleo totalizando mais de 400 milhões de barris, a primeira ação coordenada desse tipo desde 2022, quando a Rússia lançou sua invasão em grande escala da Ucrânia.

Dos lançamentos coordenados pela AIE (Agência Internacional de Energia), 79,8 milhões de barris provêm do Japão, o segundo maior entre os membros da AIE, depois dos Estados Unidos, que respondem por 172,2 milhões de barris, de acordo com um comunicado de imprensa da AIE.

Birol afirmou que a AIE estava pronta para continuar a ação coordenada, com seus membros ainda detendo estoques que totalizam mais de 1,4 bilhão de barris, mesmo após sua primeira liberação conjunta, a maior de todos os tempos.

"Para defender a vida das pessoas e nossas indústrias, colaboraremos estreitamente com a AIE", disse Takaichi a Birol, enquanto o chefe da AIE expressou sua gratidão por sua "liderança" e enfatizou a importância dos esforços internacionais para lidar com a situação atual.

No Japão, a liberação das reservas de petróleo do setor privado, equivalentes a 15 dias, começou em 16 de março, e a liberação das reservas governamentais, equivalentes a um mês, deve começar na quinta-feira.

No final de 2025, o Japão detinha aproximadamente 470 milhões de barris de reservas de petróleo, o equivalente a 254 dias de consumo interno, dos quais 146 dias pertenciam ao Estado, 101 dias ao setor privado e o restante era armazenado em conjunto pelos países produtores de petróleo.

Em uma declaração conjunta com cinco países europeus na semana passada, o Japão condenou o fechamento de fato do Estreito de Ormuz pelo Irã "nos termos mais fortes", expressando sua "disposição em contribuir com os esforços apropriados para garantir a passagem segura" por essa importante via navegável.

Como o Japão, com o recurso limitado à autodefesa coletiva permitido por sua Constituição que renuncia à guerra, poderia contribuir para a segurança no estreito foi um dos tópicos discutidos durante uma reunião entre Takaichi e o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, na última quinta-feira.

Durante uma sessão parlamentar na manhã de quarta-feira, Takaichi disse que Trump havia solicitado tal contribuição ao Japão, mas ela obteve sua "compreensão" explicando o que o Japão "pode ​​e não pode fazer dentro da estrutura da lei".

Antes da cúpula EUA-Japão, Trump havia pedido a diversos países, incluindo o Japão, que enviassem navios de guerra para ajudar a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

Entretanto, Washington enviou a Teerã, por meio de intermediários, um plano de 15 pontos para encerrar a guerra, instando o Irã a desmantelar seus três principais locais nucleares, suspender seu programa de mísseis balísticos e reabrir completamente o estreito, informou o Wall Street Journal, citando autoridades governamentais.