O primeiro-ministro japonês, Takaichi, espera fazer sua primeira visita aos Estados Unidos em março, em meio a tensões com a China.

O primeiro-ministro japonês, Takaichi, espera fazer sua primeira visita aos Estados Unidos em março, em meio a tensões com a China.

TÓQUIO — O Japão sondou os Estados Unidos sobre a possibilidade de a primeira-ministra Sanae Takaichi visitar o país na segunda quinzena de março para uma cúpula com o presidente Donald Trump, disse uma fonte do governo nesta quarta-feira, enquanto Tóquio busca reafirmar sua aliança com Washington em meio às tensões com Pequim.

A primeira viagem de Takaichi aos EUA como primeiro-ministro poderá permitir que ele, cujas recentes declarações sobre uma possível intervenção em Taiwan causaram atritos com Pequim, troque pontos de vista com Trump e alinhe suas posições antes de sua planejada visita à China em abril para conversas com o presidente Xi Jinping.

Em meio às preocupações no Japão sobre a posição de Trump em relação à China, Tóquio inicialmente propôs uma rota em janeiro, antes da sessão regular da Dieta, que estava prevista para começar ainda naquele mês, mas nenhum acordo foi alcançado, disse a fonte.

Uma viagem no final de março permitiria ao primeiro-ministro viajar assim que a aprovação do plano orçamentário inicial para o ano fiscal de 2026 pela Dieta, que começa no mês seguinte, fosse provavelmente garantida. A visita ainda poderia ocorrer em abril ou posteriormente, de acordo com o lado americano, indicou a fonte.

Caso outra cúpula entre Takaichi e Trump seja realizada, o Japão deve deixar clara sua posição em relação à China, que se torna cada vez mais assertiva, e garantir que os Estados Unidos compreendam sua situação em um momento de deterioração das relações sino-japonesas, disse a fonte.

Este encontro presencial, o primeiro desde outubro em Tóquio, pouco depois de Takaichi assumir o cargo, ocorreria num momento em que os EUA, sob a presidência de Trump, são percebidos como estando a suavizar a sua postura em relação à China, ao mesmo tempo que priorizam as negociações comerciais, e numa altura em que se espera que Xi faça uma visita de Estado aos EUA no próximo ano.

O Japão provavelmente buscará cooperar com os Estados Unidos em segurança econômica, incluindo a melhoria das cadeias de suprimento de terras raras, para as quais atualmente depende da China, disse a fonte.

Trump poderia instar Tóquio a esclarecer detalhes do programa de investimento americano de US$ 550 bilhões prometido pelo Japão em troca de um acordo tarifário, e os dois também poderiam discutir os planos de Takaichi para aumentar os gastos com defesa do Japão.

As relações entre Tóquio e Pequim deterioraram-se desde que Takaichi, um defensor ferrenho de medidas de segurança nacional, fez declarações no Parlamento em novembro, sugerindo que um ataque a Taiwan poderia representar uma ameaça existencial para o Japão e potencialmente desencadear uma resposta das suas forças de defesa.

A China, governada pelo Partido Comunista, considera a ilha democrática e autônoma uma província rebelde que deve ser reunificada com o continente, pela força se necessário.