O primeiro-ministro Takaichi promete maximizar os interesses do Japão por meio do diálogo com a China.
TÓQUIO – A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou nesta quarta-feira que é sua “responsabilidade” maximizar os interesses do Japão construindo boas relações com a China por meio do diálogo, após uma disputa diplomática entre os dois países ter se intensificado devido às suas declarações sobre Taiwan.
As relações entre Tóquio e Pequim deterioraram-se desde que Takaichi declarou, no início deste mês, que um ataque militar a Taiwan poderia representar uma "situação de risco de vida" para o Japão. Suas declarações foram interpretadas como uma indicação do potencial envolvimento das Forças de Autodefesa do Japão em resposta a tal cenário.
A China, liderada pelos comunistas, considera Taiwan uma província rebelde que deve ser reunificada com o continente, pela força se necessário. Pequim insiste que a questão de Taiwan, governada separadamente desde sua divisão em 1949 devido à guerra civil, é puramente um "assunto interno".
Durante um debate parlamentar individual com líderes da oposição na quarta-feira, Takaichi também afirmou ter feito esses comentários durante uma sessão parlamentar em 7 de novembro, respondendo "sinceramente" a uma pergunta específica sobre a possível resposta do Japão a uma emergência envolvendo a ilha democrática e autônoma.
Takaichi, líder do Partido Liberal Democrático, que está no poder, também afirmou que o governo fará uma "avaliação abrangente" sobre o que constitui uma situação de risco de vida, levando em consideração todas as informações disponíveis e examinando as circunstâncias específicas do caso.
Crescem as preocupações com as consequências prejudiciais da disputa diplomática. Eventos políticos, econômicos e culturais foram adiados e cancelados em ambos os países.
Takaichi fez essas declarações em resposta a perguntas de Yoshihiko Noda, líder do principal partido de oposição, o Partido Democrático Constitucional do Japão, que também expressou dúvidas sobre um pacote econômico de aproximadamente 21.300 trilhões de ienes (US$ 140 bilhões) para combater o aumento do custo de vida. O pacote de estímulo foi aprovado na semana passada por Takaichi, amplamente considerado um político com políticas fiscais moderadas.
O pacote de estímulo desencadeou uma venda maciça de ienes e títulos do governo japonês, já que a saúde fiscal do país, que já é a pior entre as economias avançadas, com uma dívida duas vezes maior que a do país, deve se deteriorar ainda mais.
Takaichi afirmou que seu governo tomaria "as medidas necessárias" após examinar se os recentes movimentos do mercado cambial eram baseados em fundamentos econômicos.

