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O Prêmio Naoki catapulta Teru Shimazu ao ápice da vida.

Teru Shimazu entrou em um novo mundo aos 41 anos.

Com menos trabalho em sua empresa de investimentos após a crise financeira global de 2008, ela começou a considerar fazer cursos e acabou se matriculando em um curso de escrita de ficção.

"De alguma forma, eu achava que tinha um dom para escrever", disse Shimazu.

Agora com 56 anos, Shimazu ganhou o prestigioso 174º Prêmio Naoki em 14 de janeiro por seu romance "Cafe no Kaeri-Michi" (Voltando da Cafeteria). Este prêmio reconhece autores emergentes de literatura popular.

Shimazu refletiu que, na época, havia se resignado a pensar que era melhor limitar suas conversas com os outros. Em suas palavras, isso acontecia porque ela era uma pessoa problemática que poderia deixar escapar algo indelicado.

A solidão não a incomodava.

No entanto, graças às suas histórias intrigantes, ela se viu no centro de um grupo animado em sua aula de escrita criativa. Essa experiência encorajadora e a presença de outras pessoas a estimularam.

"Percebi que os seres humanos estão destinados a existir entre outros enquanto viverem", disse ela.

As obras de ficção de Shimazu tendem a retratar pessoas comuns.

"Gosto de observar pessoas comuns", disse ela. "Elas têm tantas coisas na cabeça, inclusive coisas ruins."

A obra mais recente de Shimazu, que lhe rendeu o prêmio, se passa em um café durante um período que abrange as eras Taisho (1912-1926) e Showa (1926-1989).

O romance acompanha garçonetes um tanto excêntricas que parecem tão familiares que é como se os leitores pudessem encontrá-las em seu próprio café local.

Inicialmente, a autora não gostava de uma de suas personagens, mas, à medida que escrevia mais, passou a desejar-lhe felicidade.

A própria Shimazu vivenciou o que descreve como violentos altos e baixos emocionais em sua estreia como autora de uma obra "ultraleve".

Esse sentimento descreve os momentos em que ela foi repreendida ou tratada com leviandade, assim como o prazer de ver seu próprio conto publicado em uma revista.

Sua vitória no Prêmio Naoki veio após uma segunda indicação, e Shimazu recorda uma sensação de euforia que o envolveu enquanto ouvia a avaliação de um dos jurados.

Ela também compartilhou, durante uma coletiva de imprensa, que se sentiu tão tensa que estava "à beira de desmaiar".

"Sinto com frequência que estou vivendo a melhor fase da minha vida", disse ela. "Acho minha vida muito interessante porque me permitiu conquistar tanta coisa nesta idade."