O projeto de mísseis de longo alcance está dividindo os eleitores em Kumamoto.
KUMAMOTO — Embora os preços ao consumidor, a imigração e a economia sejam questões importantes nas eleições para a Câmara dos Representantes, os eleitores estão se concentrando mais na política de segurança nacional e no posicionamento de mísseis.
A cidade de Kumamoto abriga a base Camp Kengun das Forças de Autodefesa da Terra.
A partir de março, o Ministério da Defesa implantará, pela primeira vez, mísseis de longo alcance capazes de atingir bases inimigas no Campo Kengun. Os mísseis têm um alcance estimado de mais de 1.000 quilômetros, cobrindo áreas que incluem a região costeira da China.
A comunidade ao redor do Campo Kengun geralmente apoia as Forças de Autodefesa do Vietnã (SDF), mas o plano de implantação de mísseis gerou preocupações de que Kumamoto possa se tornar um alvo caso as hostilidades comecem.
Asako Koguchi, de 77 anos, que mora perto do Campo Kengun, compareceu por acaso ao evento de lançamento da campanha do candidato do Partido Liberal Democrático, em exercício, no dia 27 de janeiro, que defendeu um "fortalecimento fundamental da política de segurança".
Koguchi concordou, afirmando que o lançamento do míssil era necessário.
"A questão mais importante é a segurança nacional", disse ela aos repórteres. "A China e a Coreia do Norte estão agindo de forma estranha. Só quando nossa segurança estiver garantida é que nossas vidas cotidianas poderão ser protegidas."
Koguchi acrescentou que a política de segurança era mais importante para ela do que medidas contra o aumento dos preços.
O Ministério da Defesa Nacional destinou 33,7 bilhões de ienes (US$ 217 milhões) para o atual ano fiscal a um projeto de construção subterrânea no Quartel-General do Comando Regional Ocidental das Forças Terrestres de Autodefesa do Japão, localizado no Campo Kengun.
O quartel-general é responsável pela defesa da região de Kyushu e da prefeitura de Okinawa, e sua realocação para o subsolo visa garantir a continuidade das operações mesmo em caso de ataque.
Um oficial do Ministério da Defesa reconheceu: "Não podemos afirmar que ele não se tornará um alvo."
Em novembro do ano passado, um protesto contra a instalação de mísseis ocorreu em um shopping center local, atraindo aproximadamente 1.200 pessoas.
Masahiro Igawa, de 61 anos, presidente da Associação de Promoção da Rua Comercial de Kengun, discursou no comício através de um microfone e fez um pedido ao governo central.
"Por favor, organizem uma sessão informativa para os moradores", disse Igawa. "Queremos uma explicação adequada sobre por que isso é necessário."
Ele não especificou se era a favor ou contra a instalação de mísseis.
Como proprietário de uma loja de eletrônicos, Igawa hesita em esclarecer suas opiniões políticas por medo de criar relações tensas com seus clientes.
Minori Tachikawa, de 75 anos, diretora de um jardim de infância localizado perto da rua comercial, opõe-se abertamente à instalação de mísseis.
Ele favoreceu um candidato para o distrito eleitoral da câmara baixa que anteriormente havia sido membro da assembleia da prefeitura pelo Partido Democrático Constitucional do Japão.
Agora na lista da Aliança Centrista para a Reforma (Chudo), o candidato já não se manifesta abertamente contra a instalação de mísseis.
Tachikawa afirmou que essa mudança provavelmente decorreu do fato de o Chudo ter surgido da fusão entre o CDP e o Komeito, que fazia parte da coligação governante.
"Minha esperança é impedir a implantação de mísseis, mas suponho que tenha se tornado mais difícil para o candidato expressar uma oposição clara", disse ele.

