O atirador que matou o ex-primeiro-ministro Abe aborda os laços de sua mãe com a igreja em sua primeira declaração ao tribunal.
NARA, Japão – O homem que está sendo julgado pelo assassinato do ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, em 2022, falou pela primeira vez no tribunal nesta quinta-feira, abordando o envolvimento de sua mãe com a Igreja da Unificação e o impacto disso em suas opiniões.
“Minha perspectiva de vida e minha maneira de pensar mudaram radicalmente”, disse Tetsuya Yamagami durante a décima audiência no Tribunal Distrital de Nara, quando questionado sobre como sua vida havia mudado depois que sua mãe se tornou seguidora do grupo religioso. Esta foi uma de suas primeiras declarações em tribunal desde o início do julgamento, em outubro.
O réu de 45 anos também pediu desculpas por suas ações, dizendo estar "profundamente arrependido pelo inconveniente causado por este desfecho" e que "não merecia" ter vivido até a idade atual.
Ao ser questionado sobre sua mãe, Yamagami respondeu: "Basicamente, ela não é uma pessoa má. Havia apenas algumas coisas sobre a Igreja da Unificação que eram difíceis para mim entender."
Segundo o advogado de defesa, a mãe de Yamagami doou um total de 100 milhões de ienes (US$ 635.000) ao grupo após ingressar nele. A quantia incluía o pagamento do seguro de vida do marido após o suicídio dele, e posteriormente ela declarou falência.
"Acho que não teria sido um problema se ela não tivesse doado uma quantia tão grande de dinheiro", disse Yamagami sobre a decisão de sua mãe de se juntar à igreja.
Eles argumentaram que o acusado havia se tornado cada vez mais "vingativo" em relação à Igreja por causa de sua situação, incluindo as ações de sua mãe e o suicídio de seu irmão em 2015.
O irmão também se irritava com os presentes extravagantes da mãe. Yamagami tentou suicídio aos 24 anos, aparentemente na esperança de deixar o dinheiro do seu seguro de vida para os irmãos.
Segundo fontes da investigação, Yamagami alegou ter escolhido Abe como alvo porque o avô de Abe, Nobusuke Kishi, que também foi primeiro-ministro, ajudou a introduzir a Igreja da Unificação no Japão.

