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O bloqueio do radar pode ser uma nova retaliação militar chinesa.

Autoridades governamentais cogitaram não divulgar que um caça chinês havia rastreado um caça F-15 da Força Aérea de Autodefesa do Canadá sobre águas internacionais, mas temiam uma recorrência caso a informação não fosse tornada pública.

Segundo diversas fontes do Ministério da Defesa, a aeronave chinesa estava a cerca de 50 quilômetros da aeronave das Forças de Autodefesa do Japão durante o primeiro rastreamento por radar e a cerca de 100 quilômetros durante o segundo.

Além disso, as duas aeronaves estavam em altitudes diferentes, portanto não havia perigo iminente de colisão.

Mas houve um momento em que a aeronave das Forças de Autodefesa do Japão estava ao alcance dos mísseis da aeronave chinesa, que tinha seu radar travado nela.

Quando caças chineses se aproximaram a algumas dezenas de metros de uma aeronave de patrulha das Forças de Autodefesa do Japão (SDF) em junho e julho, nenhum sinal de radar foi acionado.

Isso levou à especulação de que o incidente mais recente foi mais uma retaliação militar da China, possivelmente relacionada a um comentário da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre um conflito militar em Taiwan.

Como não havia risco óbvio de colisão, alguns oficiais das Forças de Autodefesa questionaram se a provocação deveria ser tornada pública. Já havia sido decidido apresentar um protesto informal à China e solicitar que o incidente não se repetisse.

Mas o incidente foi divulgado porque o Ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, e outros consideraram que não torná-lo público poderia acarretar problemas futuros.

No final, passaram-se quase 10 horas desde a primeira captura pelo radar até que o governo fizesse seu anúncio.

Entretanto, as autoridades também tentaram usar a linha direta entre as autoridades de defesa em relação ao incidente, mas a China não respondeu, disseram fontes.

A linha direta foi criada em março de 2023, mas, além de uma troca inicial de cumprimentos, nunca foi utilizada.

E ambos os lados mantêm suas posições sobre quem é o responsável pelo incidente de travamento do radar.

Autoridades chinesas indicaram que o travamento do radar foi realizado no modo de busca, e não no modo de controle de fogo, no qual um alvo foi designado.

Mas, em sua coletiva de imprensa de 9 de dezembro, o Secretário-Chefe do Gabinete, Minoru Kihara, descreveu o ato como perigoso porque, normalmente, um método de busca não é usado de forma intermitente como ocorreu em 6 de dezembro.

Autoridades chinesas também criticaram o envio de aeronaves das Forças de Autodefesa para o espaço aéreo que a China estava utilizando para um exercício de treinamento, sobre o qual afirmaram ter informado o Japão previamente.

No entanto, durante a sessão da comissão de orçamento da câmara baixa em 9 de dezembro, Koizumi afirmou que seu ministério desconhecia qualquer notificação prévia desse tipo.

Um veículo de comunicação online afiliado à televisão chinesa publicou posteriormente, em 9 de dezembro, o que descreveu como uma troca de mensagens de rádio entre as Forças de Autodefesa do Japão (SDF) e os militares chineses antes do bloqueio do radar, durante a qual um oficial japonês afirmou ter recebido uma notificação a respeito do exercício de treinamento.

Em 10 de dezembro, Koizumi disse a repórteres que a marinha chinesa havia informado um destróier das Forças de Autodefesa do Vietnã sobre o início dos exercícios aéreos, mas não havia recebido informações suficientes para evitar qualquer perigo.

"O ponto fundamental deste incidente é que a China bloqueou intermitentemente seu radar por cerca de 30 minutos, mesmo enquanto estávamos tomando as medidas apropriadas para evitar uma violação do espaço aéreo", disse Koizumi.

(Este artigo foi escrito por Mizuki Sato, Ryo Kiyomiya e Daisuke Yajima em Tóquio e Yohei Kobayakawa em Pequim.)